Erdogan afirma que ações militares de Israel atingiram um patamar de ameaça global
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que as ações militares de Israel representam uma ameaça global. A declaração ocorre após bombardeios israelenses em Tiro, no Líbano, que causaram oito mortes. A ofensiva sucede confrontos diretos entre Israel e Irã
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/R/9/SSSuEDRE2KhBocB9JzKA/bibi-erdogan.jpg)
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta quarta-feira (10) que as ações militares de Israel atingiram um patamar de ameaça global. Em pronunciamento a parlamentares, o líder turco alertou contra a adesão a estratégias que classificou como "iniciativas maliciosas" de Israel para desestabilizar a região do Mediterrâneo.
As declarações ocorrem após Israel retomar a ofensiva contra o Líbano na terça-feira (9), com um bombardeio na periferia leste da cidade histórica de Tiro, no sul do país. O ataque resultou na morte de oito pessoas, conforme dados do Ministério da Saúde libanês, e provocou a fuga de milhares de residentes após a emissão de uma ordem de evacuação para toda a localidade.
Esta operação marca a primeira investida israelense no Líbano após um período de tensão direta entre Israel e Irã. No domingo (7), o Irã atacou Israel em resposta a bombardeios anteriores no Líbano, recebendo como contrapartida ataques israelenses em três pontos do território iraniano, incluindo a capital Teerã. O ciclo de confrontos rompeu o cessar-fogo vigente desde abril.
A escalada foi interrompida temporariamente na segunda-feira (8), quando ambos os países suspenderam os ataques mútuos após apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O comando militar do Irã declarou ter dado uma "resposta dolorosa" a Israel antes de cessar as hostilidades, medida seguida por Israel meia hora depois.
A interrupção dos bombardeios, no entanto, foi restrita ao território iraniano. Fontes governamentais indicam que a decisão de Benjamin Netanyahu de parar os ataques ao Irã ocorreu após conversa telefônica com Trump, que já havia exigido a interrupção das operações no Líbano, pedido ignorado pelo premiê israelense.
Netanyahu manteve a postura de que responderá "com força" a qualquer nova agressão iraniana em solo israelense. Paralelamente, a ofensiva no sul do Líbano deve prosseguir com intensidade nos próximos dias, com a possibilidade de bombardeios em Beirute caso o Hezbollah mantenha os ataques ao norte de Israel. O governo do Irã, por sua vez, afirmou que reagirá a qualquer nova ofensiva israelense em Beirute ou no sul do Líbano, acusando Netanyahu de ter rompido a trégua regional.