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Erupção de vulcão na Indonésia mata três alpinistas que ignoraram zona de exclusão para redes sociais

12 de Maio de 2026 às 18:35

Uma erupção do vulcão Mount Dukono, na Indonésia, matou três pessoas em 8 de maio de 2026. As vítimas, dois singapurianos e uma indonésia, acessaram ilegalmente a zona de exclusão para produzir conteúdo para redes sociais. A operação de resgate mobilizou 100 pessoas e utilizou drones térmicos para localizar os corpos

Erupção de vulcão na Indonésia mata três alpinistas que ignoraram zona de exclusão para redes sociais
Hikers em trilha vulcânica.

Uma erupção do vulcão Mount Dukono, na ilha de Halmahera, no leste da Indonésia, resultou na morte de três pessoas em 8 de maio de 2026. As vítimas integravam um grupo de 20 alpinistas que ignoraram avisos em redes sociais e sinalizações em trilhas para acessar a zona de exclusão, mantida pela agência indonésia PVMBG desde dezembro de 2024. De acordo com a polícia local, a motivação para a subida ilegal foi a produção de conteúdo para redes sociais.

Entre os mortos estão dois cidadãos de Singapura, de 27 e 30 anos, e uma mulher indonésia natural de Ternate. O governo de Singapura coordenou o apoio consular aos familiares, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Indonésia confirmou o repatriamento dos corpos. Este é o segundo incidente fatal com alpinistas singapurianos em vulcões indonésios nos últimos dez anos, o que levou as autoridades de ambos os países a discutirem a criação de um protocolo conjunto de aviso.

O evento vulcânico foi caracterizado por uma coluna de cinzas que atingiu 10 quilômetros de altura e a ejeção de material piroclástico em ângulos amplos. O nível de alerta já estava elevado há semanas, com a PVMBG registrando um aumento expressivo de erupções explosivas magmáticas desde março de 2026.

A operação de resgate mobilizou 100 pessoas, incluindo militares, policiais e civis. A localização dos corpos ocorreu em pouco mais de 48 horas, com o auxílio de dois drones térmicos que identificaram sinais de calor residual no terreno. O trabalho das equipes de busca e salvamento (SAR) foi dificultado por sedimentos vulcânicos e precisou ser interrompido durante a noite, sendo retomado na manhã de sábado.

Localizado no Maluku do Norte, o Mount Dukono possui 1.087 metros de altitude e é um dos vulcões mais persistentes da Indonésia, com atividade quase contínua desde 1933. O país possui o maior número de vulcões ativos do mundo, totalizando 127, todos inseridos no Cinturão de Fogo do Pacífico. O padrão geológico da região é similar ao que causou a morte de 56 pessoas no vulcão Semeru, em janeiro de 2025.

O descumprimento de zonas restritas em vulcões ativos é um problema global, comparável ao incidente de 2019 no Whakaari, na Nova Zelândia, que vitimou 22 turistas. Enquanto países como Itália e Islândia adotam fechamentos preventivos rígidos, a região de Halmahera enfrenta o desafio de conciliar a segurança com a economia local, que depende do turismo e emprega cerca de 3.500 guias.

Na Indonésia, a invasão de áreas de exclusão é crime, com multas que podem chegar a R$ 200 mil. Após a tragédia, a Polícia Militar de Maluku do Norte indiciou três pessoas por descumprimento da restrição. O Mount Dukono segue em alerta elevado, com previsão de novas emissões de cinzas.

Embora o Brasil não possua vulcões ativos em seu continente — com o último vulcanismo significativo ocorrido há 60 milhões de anos —, o país monitora atividades relacionadas. A ilha de Trindade apresenta vulcanismo recente em escala geológica e permanece sob controle da Marinha. No mar, a Petrobras monitora o Vulcão Submarino Santa Catarina, e plataformas de petróleo utilizam sensores sísmicos integrados ao sistema da ANP, aplicando técnicas de monitoramento marítimo absorvidas da Indonésia e do Japão na última década.

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