Erupção de vulcão na Indonésia mata três alpinistas que ignoraram zona de exclusão para redes sociais
Uma erupção do vulcão Mount Dukono, na Indonésia, matou três pessoas em 8 de maio de 2026. As vítimas, dois singapurianos e uma indonésia, acessaram ilegalmente a zona de exclusão para produzir conteúdo para redes sociais. A operação de resgate mobilizou 100 pessoas e utilizou drones térmicos para localizar os corpos

Uma erupção do vulcão Mount Dukono, na ilha de Halmahera, no leste da Indonésia, resultou na morte de três pessoas em 8 de maio de 2026. As vítimas integravam um grupo de 20 alpinistas que ignoraram avisos em redes sociais e sinalizações em trilhas para acessar a zona de exclusão, mantida pela agência indonésia PVMBG desde dezembro de 2024. De acordo com a polícia local, a motivação para a subida ilegal foi a produção de conteúdo para redes sociais.
Entre os mortos estão dois cidadãos de Singapura, de 27 e 30 anos, e uma mulher indonésia natural de Ternate. O governo de Singapura coordenou o apoio consular aos familiares, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Indonésia confirmou o repatriamento dos corpos. Este é o segundo incidente fatal com alpinistas singapurianos em vulcões indonésios nos últimos dez anos, o que levou as autoridades de ambos os países a discutirem a criação de um protocolo conjunto de aviso.
O evento vulcânico foi caracterizado por uma coluna de cinzas que atingiu 10 quilômetros de altura e a ejeção de material piroclástico em ângulos amplos. O nível de alerta já estava elevado há semanas, com a PVMBG registrando um aumento expressivo de erupções explosivas magmáticas desde março de 2026.
A operação de resgate mobilizou 100 pessoas, incluindo militares, policiais e civis. A localização dos corpos ocorreu em pouco mais de 48 horas, com o auxílio de dois drones térmicos que identificaram sinais de calor residual no terreno. O trabalho das equipes de busca e salvamento (SAR) foi dificultado por sedimentos vulcânicos e precisou ser interrompido durante a noite, sendo retomado na manhã de sábado.
Localizado no Maluku do Norte, o Mount Dukono possui 1.087 metros de altitude e é um dos vulcões mais persistentes da Indonésia, com atividade quase contínua desde 1933. O país possui o maior número de vulcões ativos do mundo, totalizando 127, todos inseridos no Cinturão de Fogo do Pacífico. O padrão geológico da região é similar ao que causou a morte de 56 pessoas no vulcão Semeru, em janeiro de 2025.
O descumprimento de zonas restritas em vulcões ativos é um problema global, comparável ao incidente de 2019 no Whakaari, na Nova Zelândia, que vitimou 22 turistas. Enquanto países como Itália e Islândia adotam fechamentos preventivos rígidos, a região de Halmahera enfrenta o desafio de conciliar a segurança com a economia local, que depende do turismo e emprega cerca de 3.500 guias.
Na Indonésia, a invasão de áreas de exclusão é crime, com multas que podem chegar a R$ 200 mil. Após a tragédia, a Polícia Militar de Maluku do Norte indiciou três pessoas por descumprimento da restrição. O Mount Dukono segue em alerta elevado, com previsão de novas emissões de cinzas.
Embora o Brasil não possua vulcões ativos em seu continente — com o último vulcanismo significativo ocorrido há 60 milhões de anos —, o país monitora atividades relacionadas. A ilha de Trindade apresenta vulcanismo recente em escala geológica e permanece sob controle da Marinha. No mar, a Petrobras monitora o Vulcão Submarino Santa Catarina, e plataformas de petróleo utilizam sensores sísmicos integrados ao sistema da ANP, aplicando técnicas de monitoramento marítimo absorvidas da Indonésia e do Japão na última década.