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Espanha constrói a fragata F-111 Bonifaz com tecnologia de gêmeo digital e radar avançado

14 de Maio de 2026 às 06:14

A Espanha constrói a fragata F-111 Bonifaz, parte de um programa de 4,768 bilhões de euros para modernizar sua frota naval. A embarcação, com entrega prevista para maio de 2028, foca em guerra antisubmarina e utiliza tecnologia de gêmeo digital. O projeto gera 9.000 empregos e envolve mais de 500 empresas espanholas

Espanha constrói a fragata F-111 Bonifaz com tecnologia de gêmeo digital e radar avançado
EFE

A Espanha avança na modernização de sua frota naval com a construção da fragata F-111 Bonifaz, parte da série F-110 desenvolvida pelos estaleiros da Navantia em Ferrol. O programa, que conta com um investimento total de 4,768 bilhões de euros, visa substituir seis fragatas da classe F-80 por cinco unidades da nova série, embora a Marinha espanhola já preveja a adição de ao menos duas novas embarcações para atender às demandas geopolíticas atuais.

A F-111 Bonifaz tem a previsão de iniciar testes de mar em meados do próximo ano, com a chegada da equipe de casco da Marinha em janeiro e a entrega final programada para maio de 2028. O projeto impacta a economia local com a geração de 3.000 empregos diretos e 6.000 indiretos, envolvendo mais de 500 empresas espanholas. A plataforma do navio possui 85% de componentes nacionais, índice que cai para 70% quando incluídos os sistemas de combate.

Projetada prioritariamente para a guerra antisubmarina (ASW), a fragata utiliza um sistema de propulsão híbrido CODELAG, que combina turbina a gás para alta potência e quatro grupos diesel para baixo consumo. Motores elétricos permitem a navegação ultra silenciosa, essencial em operações ASW. Para reduzir a emissão sonora, a turbina e os geradores são encapsulados em compartimentos insonorizados, permitindo que a tripulação trabalhe nas salas de máquinas sem a necessidade de proteção auditiva.

No campo da detecção, a embarcação é equipada com o sonar remolgado CAPTAS 4C da Thales, tecnologia também utilizada pelos Estados Unidos, capaz de identificar submarinos a mais de 150 km de distância através de um sistema de imersão variável de até 300 metros. Além disso, a estrutura foi certificada para resistir a explosões submarinas e impactos de minas, seguindo padrões americanos, diferencial técnico em relação a fragatas europeias como a classe FREMM.

A F-111 será a primeira embarcação do mundo a operar com a tecnologia de "gêmeo digital", uma réplica computarizada que monitora sensores e peças em tempo real, permitindo a manutenção preditiva e a gestão de reposições a partir de terra. O sistema digital também controla a movimentação da tripulação a bordo por meio de identificações eletrônicas, restringindo o acesso a áreas não autorizadas.

A defesa aérea da série F-110 integra o sistema americano Aegis ao sistema de combate espanhol SCOMBA. O destaque é o radar digital AESA SPY-7(V)2, que supera o modelo SPY-1 das fragatas F-100, permitindo rastrear múltiplos alvos e detectar mísseis a até 2.000 km de distância. Contudo, a versão inicial (Flight 1) é alvo de discussões devido ao seu lançador vertical de mísseis (VLS Mk-41) de apenas 16 células, capacidade considerada insuficiente para confrontos de alta intensidade, como os observados recentemente no Golfo Pérsico.

Para corrigir essa limitação, a Navantia desenvolveu a versão F-110 Flight 2. Este novo modelo amplia a capacidade de armamento com um lançador de proa de 48 células (Strike Length) e um segundo lançador de 16 células na superestrutura (Tactical Length), permitindo transportar 48 mísseis Standard SM-2MR e 64 RIM-162 ESSM Block 2.

A evolução para a Flight 2 exige ajustes estruturais: o comprimento do navio aumenta em 4,8 metros e o peso sobe para 7.000 toneladas. A propulsão é atualizada para a turbina LM2500+G4, elevando a potência de 22MW para 30MW. O radar SPY-7 também é aprimorado, passando de 68 para 100 subconjuntos de estado sólido (SAS) baseados em nitreto de gálio, o que aumenta a precisão e a resiliência do sistema.

A versão Flight 2 integrará ainda a capacidade de Defesa Integrada de Mísseis e Aeronaves (IAMD) e a Capacidade de Engajamento Cooperativo (CEC), permitindo que a fragata compartilhe dados de tiro em rede para que um alvo detectado por ela seja abatido por outra embarcação. Com essas especificações, a Navantia posiciona o modelo como um competidor global, oferecendo inclusive a opção do radar SPY-6 da Raytheon para exportações.

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