Espanha inicia repatriação de passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius após surto de hantavírus
A repatriação de 94 passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius, afetados por um surto de hantavírus, começou domingo em Tenerife, Espanha. A operação envolveu deslocamentos para diversos países, com seis casos confirmados e três mortes registradas pela OMS. O navio deve partir para a base nos Países Baixos nesta segunda-feira
A operação de repatriação de passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius, afetados por um surto de hantavírus, teve início neste domingo (10) a partir da ilha de Tenerife, na Espanha. No primeiro dia de atividades, 94 pessoas de 19 nacionalidades desembarcaram no porto de Granadilla de Abona. O processo de evacuação, organizado por nacionalidades, começou com os espanhóis e deve ser finalizado com o grupo de americanos.
A logística de transporte envolveu o deslocamento de passageiros em lanchas do navio, que permanece ancorado sem atracar por determinação das autoridades das Ilhas Canárias, até o aeroporto de Tenerife Sul. Os 14 espanhóis, primeiros a deixar a embarcação, foram levados em ônibus adaptados da Unidade Militar de Emergências para Madri, onde foram internados em um hospital militar para quarentena.
Voos foram direcionados para França, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Países Baixos. O voo para território holandês transportou também um tripulante guatemalteco e um passageiro argentino. Já os britânicos chegaram a Manchester e devem cumprir isolamento por até 72 horas próximo a Liverpool. A etapa final da operação ocorre nesta segunda-feira, com a partida de voos para a Austrália e a Holanda. O navio, de bandeira holandesa, tem previsão de zarpar rumo à sua base nos Países Baixos até as 19h de segunda-feira, transportando cerca de 30 tripulantes.
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, afirmou que a operação ocorreu com normalidade e segurança, embora o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, tenha reportado a presença de sintomas em um dos cidadãos franceses evacuados.
O balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS) registra seis casos confirmados de hantavírus entre oito suspeitos. O surto resultou em três mortes: dois passageiros holandeses e uma alemã. O vírus é classificado como raro e não possui vacina. O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco para a saúde pública permanece baixo, ressaltando a cooperação internacional.
A maioria dos passageiros é assintomática, mas foi classificada como contato de alto risco, o que exige quarentena ao chegarem aos seus destinos. A única exceção são os americanos, que podem não ser submetidos ao isolamento, medida considerada arriscada pela OMS. Jay Bhattacharya, diretor interino do CDC dos Estados Unidos, pediu calma à população e diferenciou a situação da pandemia de covid.
O cruzeiro havia partido de Ushuaia, na Argentina, no dia 1º de abril. Apesar da resistência inicial das autoridades regionais das Ilhas Canárias quanto à operação sanitária, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a ação como uma resposta eficaz e exemplar do país diante da crise.