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Estados Unidos abrem segunda investigação criminal contra Nicolás Maduro por suspeita de lavagem de dinheiro

20 de Maio de 2026 às 06:24

A procuradoria de Miami abriu uma segunda investigação criminal contra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por lavagem de dinheiro. O processo ocorre paralelamente a acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas que tramitam em Nova York. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, encontram-se detidos

Estados Unidos abrem segunda investigação criminal contra Nicolás Maduro por suspeita de lavagem de dinheiro
Getty Images via BBC

As autoridades dos Estados Unidos instauraram uma segunda investigação criminal contra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de 63 anos. A nova apuração, conduzida pela procuradoria em Miami, na Flórida, concentra-se em possíveis crimes de lavagem de dinheiro e ocorre paralelamente ao processo principal que tramita em Nova York.

Maduro encontra-se detido no Metropolitan Detention Center, penitenciária federal conhecida pelo rigor e por abrigar presos de alta visibilidade. No Brooklyn, ele permanece em cela individual, sem acesso a jornais ou internet, embora tenha permissão para realizar chamadas telefônicas de 15 minutos para advogados e familiares. De acordo com informações do governo venezuelano, o ex-líder tem dedicado seu tempo à leitura da Bíblia e mantém uma rotina de exercícios físicos.

A investigação na Flórida é vista como uma alternativa jurídica caso o processo de Manhattan enfrente entraves. Atualmente, Maduro nega as acusações de tráfico de drogas e conspiração para narcoterrorismo, denúncias apresentadas em 2020 que serviram de base legal para a operação militar em Caracas que o removeu do poder. Sua esposa, Cilia Flores, de 69 anos, também está presa e responde a acusações criminais.

Recentemente, o juiz federal Alvin Hellerstein, de 92 anos, negou o pedido da defesa para arquivar as acusações. O argumento dos advogados era de que as sanções impostas pelos Estados Unidos ao governo venezuelano impedem o pagamento dos honorários advocatícios, violando o direito constitucional de escolha da defesa. Barry Pollack, advogado de Maduro e ex-representante de Julian Assange, condicionou sua permanência no caso ao arquivamento do processo ou à liberação dos pagamentos.

Embora o magistrado tenha rejeitado o encerramento da ação, ele também não aceitou a tese do procurador Kyle Wirshba de que o bloqueio aos fundos venezuelanos se justificaria por interesses de segurança nacional ou política externa. Até o momento, não houve definição sobre o prazo para a decisão dos honorários nem a data da próxima audiência.

O cenário jurídico reflete a postura do presidente Donald Trump, que já havia sinalizado a intenção de apresentar novas acusações contra o venezuelano. A movimentação na Flórida, que também já resultou em denúncias de lavagem de dinheiro contra Alex Saab, aliado de Maduro, ocorre em um período de cooperação entre as polícias dos EUA e o governo interino de Delcy Rodríguez.

Ainda sob a competência do escritório da Flórida, espera-se a formalização de indiciamentos contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, referente ao abate de aviões de exilados cubanos em 1996.

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