Estados Unidos abrem segunda investigação criminal contra Nicolás Maduro por suspeita de lavagem de dinheiro
A procuradoria de Miami abriu uma segunda investigação criminal contra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por lavagem de dinheiro. O processo ocorre paralelamente a acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas que tramitam em Nova York. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, encontram-se detidos
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As autoridades dos Estados Unidos instauraram uma segunda investigação criminal contra o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de 63 anos. A nova apuração, conduzida pela procuradoria em Miami, na Flórida, concentra-se em possíveis crimes de lavagem de dinheiro e ocorre paralelamente ao processo principal que tramita em Nova York.
Maduro encontra-se detido no Metropolitan Detention Center, penitenciária federal conhecida pelo rigor e por abrigar presos de alta visibilidade. No Brooklyn, ele permanece em cela individual, sem acesso a jornais ou internet, embora tenha permissão para realizar chamadas telefônicas de 15 minutos para advogados e familiares. De acordo com informações do governo venezuelano, o ex-líder tem dedicado seu tempo à leitura da Bíblia e mantém uma rotina de exercícios físicos.
A investigação na Flórida é vista como uma alternativa jurídica caso o processo de Manhattan enfrente entraves. Atualmente, Maduro nega as acusações de tráfico de drogas e conspiração para narcoterrorismo, denúncias apresentadas em 2020 que serviram de base legal para a operação militar em Caracas que o removeu do poder. Sua esposa, Cilia Flores, de 69 anos, também está presa e responde a acusações criminais.
Recentemente, o juiz federal Alvin Hellerstein, de 92 anos, negou o pedido da defesa para arquivar as acusações. O argumento dos advogados era de que as sanções impostas pelos Estados Unidos ao governo venezuelano impedem o pagamento dos honorários advocatícios, violando o direito constitucional de escolha da defesa. Barry Pollack, advogado de Maduro e ex-representante de Julian Assange, condicionou sua permanência no caso ao arquivamento do processo ou à liberação dos pagamentos.
Embora o magistrado tenha rejeitado o encerramento da ação, ele também não aceitou a tese do procurador Kyle Wirshba de que o bloqueio aos fundos venezuelanos se justificaria por interesses de segurança nacional ou política externa. Até o momento, não houve definição sobre o prazo para a decisão dos honorários nem a data da próxima audiência.
O cenário jurídico reflete a postura do presidente Donald Trump, que já havia sinalizado a intenção de apresentar novas acusações contra o venezuelano. A movimentação na Flórida, que também já resultou em denúncias de lavagem de dinheiro contra Alex Saab, aliado de Maduro, ocorre em um período de cooperação entre as polícias dos EUA e o governo interino de Delcy Rodríguez.
Ainda sob a competência do escritório da Flórida, espera-se a formalização de indiciamentos contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, referente ao abate de aviões de exilados cubanos em 1996.