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Estados Unidos admitem possibilidade de perder corrida espacial para a China no polo sul da Lua

07 de Abril de 2026 às 12:06

Os Estados Unidos reconhecem a possibilidade de perder a disputa com a China pelo controle do polo sul da Lua. Enquanto Pequim planeja chegar ao local até 2030 com o módulo Lanyue, a NASA prevê o pouso de astronautas antes de janeiro de 2029 via programa Artemis. A região é estratégica devido à presença de gelo de água para suporte de bases e missões espaciais

Os Estados Unidos admitem publicamente a possibilidade de perder a atual corrida espacial para a China, especialmente na disputa para estabelecer uma presença permanente no polo sul da Lua. Jared Isaacman, administrador da NASA, afirmou que a diferença entre o sucesso e o fracasso nessa competição será medida em meses, classificando a China como um rival geopolítico que desafia a liderança americana em posições estratégicas no espaço.

O objetivo central da disputa é o controle do polo sul lunar, região onde cientistas de ambos os países acreditam existir gelo de água em crateras permanentemente sombreadas. Esse recurso é fundamental para a viabilidade de bases operacionais, pois permite a obtenção de água potável, oxigênio para respiração e a produção de hidrogênio e oxigênio para combustível de foguetes destinados a missões para Marte e outras regiões do sistema solar. A nação que se instalar primeiro na região terá influência direta na definição das regras de exploração e acesso a esses recursos.

Atualmente, a China possui uma vantagem técnica com o Lanyue, um módulo de pouso lunar já desenvolvido para levar astronautas à superfície. O governo chinês planeja chegar à Lua até 2030 e projeta a criação da Estação Internacional de Pesquisa Lunar, que incluirá uma base no polo sul e uma usina de energia nuclear para garantir eletricidade constante às operações.

Em contrapartida, os Estados Unidos dependem de parcerias público-privadas com a SpaceX e a Blue Origin. A Starship, da SpaceX, tem previsão de prontidão para outubro de 2028, enquanto os módulos da Blue Origin são projetados para o início de 2029. O cronograma da NASA, através do programa Artemis, prevê o pouso de astronautas antes de janeiro de 2029, coincidindo com o fim do mandato do presidente Trump.

A trajetória do programa Artemis, no entanto, é marcada por estouros de orçamento e contratempos que sucessivamente adiam as metas. O próximo passo é a missão Artemis 2, que levará uma tripulação ao redor da Lua sem pousar, seguida pela Artemis 3, que tentará o pouso efetivo.

A diferença de ritmo também é atribuída ao modelo de gestão: enquanto a China utiliza um sistema centralizado de comando governamental, que agiliza decisões, os EUA operam em uma estrutura complexa de fornecedores e contratos.

Após o retorno de astronautas à Lua, a NASA pretende realizar missões semestrais para manter uma presença contínua, estimando que a conclusão de uma base lunar permanente levará sete anos após o primeiro pouso. O domínio da infraestrutura lunar é visto como o passo decisivo para quem pretende projetar poder fora da Terra e controlar o próximo posto avançado da humanidade.

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