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Estados Unidos e China expandem disputa tecnológica para a área da biotecnologia e segurança nacional

26 de Maio de 2026 às 18:10

A biotecnologia tornou-se eixo de segurança nacional na disputa entre Estados Unidos e China, segundo relatório da National Security Commission on Emerging Biotechnology. Para manter a competitividade, a comissão recomenda investimento de US$ 15 bilhões em cinco anos e a coordenação federal do setor

Estados Unidos e China expandem disputa tecnológica para a área da biotecnologia e segurança nacional
Entenda como EUA e China disputam a liderança em biotecnologia, IA e dados biológicos, com impactos na defesa e na indústria global. (Imagem: Ilustrativa)

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China expandiu seu escopo para além de semicondutores e inteligência artificial, incorporando agora a biotecnologia como um eixo central de segurança nacional. O setor, que envolve a engenharia de sistemas biológicos para a criação de materiais, processos e produtos — como vacinas, terapias genéticas e sensores —, deixou de ser visto apenas sob a ótica da saúde e biodefesa para integrar as estratégias de economia, indústria e defesa de Washington.

Um relatório final divulgado em abril de 2025 pela National Security Commission on Emerging Biotechnology, órgão criado pelo Congresso americano, alerta que a China avança rapidamente em áreas estratégicas. O documento recomenda medidas imediatas para que os Estados Unidos preservem sua competitividade, destacando a preocupação de que o Partido Comunista Chinês utilize a biotecnologia como ferramenta militar. A estratégia de fusão militar-civil de Pequim visa integrar sistemas homem-máquina e tecnologias biológicas ao Exército de Libertação Popular até 2049, data em que a China pretende ter uma força militar de padrão mundial.

O alerta estratégico da comissão é severo ao comparar o cenário atual com o uso de drones em conflitos recentes, sugerindo que tais tecnologias parecerão obsoletas caso os Estados Unidos enfrentem combatentes chineses geneticamente aprimorados e integrados à IA. Complementando essa visão, Mike Gallagher, do Hudson Institute e chefe de defesa da Palantir Technologies, aponta riscos como a vigilância genética, a coleta forçada de DNA e a existência de discussões em círculos militares chineses sobre armas geneticamente ajustadas.

Essa nova dinâmica surge da convergência entre a edição genética, como a ferramenta CRISPR, a automação e a computação avançada. Para Jason Kelly, CEO da Ginkgo Bioworks, a biologia agora é tratada como um código que pode ser alterado para que células executem novas funções, embora sistemas vivos sejam menos previsíveis que computadores. Alexander Titus, membro da comissão americana, reforça que a engenharia biológica transformou organismos vivos em plataformas de desenvolvimento tecnológico.

No campo prático da defesa, os Estados Unidos já exploram a biomanufatura para reduzir a dependência de cadeias de suprimentos longas. A Força Aérea e a DARPA, por meio do Projeto Medusa, pesquisam o uso de biocimento — bactérias que estabilizam o solo para criar pistas de pouso e estradas em locais remotos sem a necessidade de transportar concreto. Outras áreas de interesse incluem camuflagem dinâmica, logística e sensores biológicos.

A disputa também se deslocou para a gestão de dados. Autoridades americanas agora tratam informações biológicas como ativos estratégicos. Há propostas para que o Departamento de Energia organize bases de dados para modelos de IA e que o Departamento do Interior realize o sequenciamento da biodiversidade em terras públicas para impulsionar a indústria e a medicina. Paralelamente, busca-se restringir o acesso de adversários a esses dados sensíveis para evitar espionagem.

Um índice publicado em junho de 2025 pelo Belfer Center for Science and International Affairs, da Universidade Harvard, indica que Estados Unidos e China possuem desempenho semelhante em biotecnologia. Embora os americanos liderem em engenharia genética, vacinas e agricultura, a China avança rapidamente em capital humano e capacidade de manufatura farmacêutica, sendo esta a área com maior probabilidade de ultrapassagem imediata.

Para conter esse avanço, a comissão americana recomenda que o governo invista ao menos US$ 15 bilhões em cinco anos para estimular o setor privado, formar mão de obra e proteger dados. Esse movimento já reflete no Legislativo: em 9 de abril de 2025, foram apresentados a Câmara e ao Senado os projetos H.R. 2756 e S. 1387 (National Biotechnology Initiative Act of 2025), visando a coordenação federal do setor. Além disso, em 26 de junho de 2025, as deputadas Chrissy Houlahan e Stephanie Bice fundaram o BIOTech Caucus para promover políticas bipartidárias que assegurem a liderança dos Estados Unidos na área.

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