Estados Unidos e Irã assinam acordo de cessar-fogo para encerrar conflito armado nesta sexta-feira
Estados Unidos e Irã assinarão nesta sexta-feira, em Genebra, um acordo de cessar-fogo para interromper o conflito iniciado em 28 de fevereiro. O pacto prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, alívio gradual de sanções financeiras e negociações sobre o programa nuclear iraniano em até 60 dias
Estados Unidos e Irã anunciaram um acordo para encerrar o conflito armado iniciado em 28 de fevereiro. A medida estabelece, inicialmente, um cessar-fogo para interromper os ataques, mas não representa o fim definitivo da guerra. A assinatura formal do documento ocorrerá nesta sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça.
O ponto central das negociações permanece em aberto: o futuro do programa nuclear iraniano. O governo de Donald Trump exige a interrupção total da atividade, sob a justificativa de que o Irã desenvolve armas nucleares. A proposta de Washington inclui a entrada de uma equipe independente no país para a remoção de todo o material nuclear, com o envio do urânio enriquecido para fora do território, possivelmente para a Rússia. Teerã, por outro lado, sustenta que o programa possui finalidade exclusivamente civil. O acordo prevê que negociadores de ambos os lados busquem um consenso sobre a questão em até 60 dias.
No Estreito de Ormuz, principal ponto de tensão do conflito, houve a concordância para a reabertura imediata da passagem. Donald Trump informou ter ordenado o levantamento do bloqueio naval imposto pela Marinha dos EUA a navios que comercializam com portos iranianos. Apesar de Trump afirmar que o tráfego já foi retomado, o Irã não confirmou a informação. Além disso, o Ministério da Defesa iraniano anunciou a cobrança de uma taxa de serviço para a travessia, medida que Trump afirma ser proibida pelo acordo. A navegação plena ainda enfrenta a barreira de minas navais instaladas pelo Irã; a desativação desses explosivos pode levar 50 dias, período em que seguradoras e operadoras de carga devem manter a inviabilidade do tráfego.
No campo econômico, os Estados Unidos aceitaram aliviar as sanções financeiras de forma gradual e condicionada ao cumprimento do pacto. O Irã busca a suspensão total das sanções sobre a venda de petróleo, petroquímicos e derivados, além da liberação de seus recursos financeiros congelados, visando recuperar a economia após três meses de guerra. Teerã também solicita um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões para compensar os danos do conflito, ponto sobre o qual Washington não se manifestou.
A resolução do conflito também abrange a frente no Líbano, conforme anunciado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. O encerramento das operações militares israelenses em território libanês é uma exigência direta do Irã, aliado e financiador do Hezbollah. O grupo realizou ataques contra Israel em retaliação aos bombardeios americanos e israelenses contra o Irã. No entanto, Benjamin Netanyahu afirmou que as tropas israelenses permanecerão nas zonas de segurança ocupadas no Líbano até que seja necessário, deixando incerta a concessão militar de Israel nesse aspecto do acordo.