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Estados Unidos e Irã assinam acordo para encerrar conflito e reabrir o estreito de Ormuz

20 de Junho de 2026 às 06:06

Donald Trump e Masoud Pezeshkian assinaram um memorando para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. O acordo prevê a reabertura do estreito de Ormuz, a retomada de negociações nucleares e a suspensão de bloqueios a portos iranianos. O documento estabelece um prazo de 60 dias para as tratativas

Estados Unidos e Irã assinam acordo para encerrar conflito e reabrir o estreito de Ormuz
AFP via Getty Imagens, via BBC

Donald Trump e Masoud Pezeshkian, presidentes dos Estados Unidos e do Irã, assinaram um memorando de entendimento (MOU) para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. O documento estabelece a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do estreito de Ormuz, revertendo a situação geopolítica anterior ao início das hostilidades.

A decisão americana e israelense de atacar o Irã resultou em uma derrota estratégica. Embora as forças aéreas tenham obtido vitórias táticas, o regime em Teerã sobreviveu e se fortaleceu. O custo humano do conflito foi elevado, com a morte de milhares de pessoas, incluindo civis no Irã e no Líbano.

O ponto central da virada estratégica foi a decisão do Irã de bloquear o estreito de Ormuz, ponto por onde circula um quinto do petróleo e gás mundial. A medida, adotada pelos sucessores do líder supremo Ali Khamenei — morto em bombardeios iniciais da guerra —, impactou a economia global e forçou a Casa Branca a aceitar concessões significativas.

Para garantir a reabertura da via marítima, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos, flexibilizarão sanções para permitir a exportação de petróleo e iniciarão a devolução de bilhões de dólares em ativos congelados no exterior. O acordo também prevê o fim da guerra no Líbano, ponto que gera forte resistência do governo de Israel, que reivindica liberdade de ação no país vizinho. Essa divergência pode aprofundar a crise entre Tel Aviv e Washington, além de dar força a alas radicais em Teerã.

O desfecho do conflito compromete a imagem política de Donald Trump, sendo considerado seu maior erro de política externa, e coloca em risco a permanência de Benjamin Netanyahu no poder. O primeiro-ministro israelense enfrenta eleições em outubro e é cobrado por falhas graves de segurança, como a invasão do Hamas em 7 de outubro de 2023.

A estratégia de mudança de regime falhou ao subestimar a estrutura do governo iraniano, que, apesar de repressivo e corrupto, possui uma base ideológica e de segurança nacional resiliente. O "eixo de resistência" do Irã, embora fragilizado e com a queda do regime de Bashar al-Assad na Síria no fim de 2024, permaneceu ativo.

O MOU não é um tratado final, mas um compromisso para 60 dias de negociações complexas sobre a questão nuclear, prazo que poderá ser estendido. O sucesso do processo depende da superação da desconfiança mútua e da pressão de setores radicais nos três países. Caso as metas sejam atingidas e as sanções levantadas, há a possibilidade de uma transformação na estabilidade do Oriente Médio.

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