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Estados Unidos e Irã assinam memorando que estabelece as bases para um acordo de paz definitivo

20 de Junho de 2026 às 06:07

Estados Unidos e Irã assinaram, nesta quarta-feira (17), um memorando para um acordo de paz que prevê a suspensão de sanções e compensações financeiras em troca da não produção de armas nucleares. O documento estabelece um cessar-fogo inicial de 60 dias, com possibilidade de prorrogação, para a negociação dos detalhes finais

Estados Unidos e Irã formalizaram um memorando de entendimento que estabelece as bases para um acordo de paz definitivo. O documento, assinado nesta quarta-feira (17), prevê a suspensão de sanções norte-americanas e a concessão de compensações financeiras ao governo de Teerã em troca da garantia de que o país não desenvolverá armas nucleares. O texto define um cessar-fogo inicial de 60 dias para a negociação dos detalhes finais, prazo que pode ser prorrogado por igual período caso as partes não cheguem a um consenso.

A negociação ocorre em um cenário de fragilidade para a gestão de Donald Trump. Após um conflito que não conseguiu derrubar o regime dos aiatolás e evidenciou a capacidade iraniana de bloquear o Estreito de Ormuz, impactando a economia global, Washington enfrenta um interlocutor com maior poder de barganha. Trump, que anteriormente criticava a leniência do acordo firmado por Barack Obama em 2015, agora adota um tom mais moderado, inclusive ao sugerir que não seria justo restringir os mísseis balísticos iranianos sem que outras nações da região enfrentassem limitações semelhantes. Essa mudança de postura surge após ataques de mísseis de Teerã atingirem bases militares dos EUA e áreas urbanas em Tel Aviv e Haifa entre março e abril.

O ponto mais crítico das tratativas permanece sendo o programa nuclear iraniano. Iniciado sob a ditadura do xá Reza Pahlavi e retomado nos anos 1990, o projeto gera preocupação no Ocidente e em Israel devido ao risco da "capacidade de ruptura" — quando o país detém infraestrutura e material suficientes para produzir uma bomba nuclear rapidamente. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reportou, em 2011, indícios de que o Irã manteve um programa estruturado para criar artefatos explosivos até 2003.

Atualmente, o Irã possui cerca de 11 toneladas de urânio em estoque, volume dez vezes superior ao registrado quando Trump retirou os EUA do acordo anterior. Desse total, ao menos 410 kg estão enriquecidos a 60%, nível significativamente acima dos 4% necessários para fins energéticos. O país opera a usina comercial de Bushehr, com apoio russo, e reativou centrífugas em Natanz e Fordow — esta última bombardeada pelos EUA em 2025 durante a Guerra dos 12 Dias.

A tensão é alimentada pela rivalidade regional com Israel. Embora o Irã seja signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear desde 1970, Israel não assinou o pacto e mantém um programa nuclear secreto em Dimona, no deserto do Negev. Teerã vê no desenvolvimento de um arsenal nuclear uma forma de dissuadir possíveis ataques israelenses.

O novo memorando prevê que a questão do estoque de urânio enriquecido seja resolvida por um mecanismo a ser definido mutuamente. O desafio de Trump é superar as limitações do antigo Plano de Ação Conjunto e Completo (JCOPA) de 2015, que havia reduzido drasticamente o número de centrífugas, limitado o enriquecimento de urânio a 3,67% e desativado o reator de Arak, capaz de produzir plutônio para fins militares. Naquele acordo, o Irã aceitava inspeções rigorosas da AIEA por até 25 anos em troca do fim de sanções comerciais e a anulação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

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