Mundo

Estados Unidos e Irã divergem sobre o controle da navegação no Estreito de Ormuz

12 de Julho de 2026 às 12:02

Estados Unidos e Irã negam e afirmam, respectivamente, o fechamento do Estreito de Ormuz após ofensivas militares mútuas. O Irã atacou alvos americanos em quatro países do Golfo e um navio em Omã, enquanto os EUA bombardearam mais de 300 pontos em território iraniano. A escalada ocorre após o fim de um acordo de cessar-fogo e a morte de Ali Khamenei

Estados Unidos e Irã divergem sobre o controle da navegação no Estreito de Ormuz
REUTERS / Stringer

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos e o presidente Donald Trump negaram que o Estreito de Ormuz esteja fechado para a navegação, refutando a afirmação da Guarda Revolucionária do Irã de que detém o controle da rota. A contestação ocorre após o Irã disparar tiros de advertência contra embarcações e declarar o fechamento do canal, em resposta a uma ofensiva norte-americana que atingiu 140 alvos militares em território iraniano neste sábado (11).

A instabilidade na região resultou no ataque a um navio, o GFS Galaxy, a cerca de 17 km a leste da Península de Musandam, em Omã. A operação provocou um incêndio a bordo e a evacuação da tripulação. Autoridades omanenses resgataram 23 pessoas, mas um tripulante segue desaparecido.

Paralelamente, o Irã expandiu as hostilidades ao atacar alvos ligados aos Estados Unidos em quatro países do Golfo Pérsico neste domingo (12). A Guarda Revolucionária informou ter destruído hangares de drones e um centro de comando e controle na Jordânia, além de atingir um radar no Kuwait, instalações de comando e manutenção de jatos no Catar e plataformas de apoio a porta-aviões em Omã. No Catar, a interceptação de mísseis deixou três feridos, incluindo uma criança, por estilhaços. Na Jordânia, três mísseis causaram danos materiais leves. Nos Emirados Árabes Unidos, sistemas de defesa interceptaram drones e mísseis que operavam fora das fronteiras do país, enquanto sirenes de alerta foram acionadas no Bahrein.

A escalada sucede uma série de bombardeios dos EUA, que totalizaram mais de 300 alvos em três noites, com o objetivo de limitar a capacidade iraniana de atacar navios civis e comerciais. Explosões foram registradas no sul do Irã, nas cidades de Bandar Abbas, Sirik, Jask, na ilha de Qeshm e na província do Khuzistão. Uma autoridade local confirmou a morte de um soldado durante a ofensiva.

O cenário de conflito ocorre apesar de tentativas recentes de mediação. No sábado, Irã e Omã, com a participação do Catar, discutiram a gestão do tráfego em Ormuz, defendendo que a segurança da navegação seja decidida conjuntamente pelos Estados costeiros. O Paquistão, por meio do ministro Ishaq Dar, também solicitou moderação de ambos os lados.

A via diplomática, contudo, apresenta sinais de esgotamento. Um memorando de entendimento com cessar-fogo, assinado em 17 de junho com prazo de 60 dias para solução da guerra, foi declarado encerrado por Donald Trump na última quarta-feira (8). Anteriormente, em 7 de junho, os EUA bombardearam o Irã após acusações de ataques a três navios comerciais.

A tensão atingiu novo patamar após o funeral de Ali Khamenei, morto por forças dos EUA e Israel. O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que a vingança é inevitável. Em contrapartida, o presidente Trump acusou Teerã de conspirar para assassiná-lo e prometeu a destruição total de regiões do país caso a ameaça se concretize.

Notícias Relacionadas