Estados Unidos e Irã estabelecem cessar-fogo de duas semanas após mediação do Paquistão
Estados Unidos e Irã firmaram um cessar-fogo de duas semanas anunciado nesta terça-feira (7), após mediação do Paquistão. O acordo prevê a interrupção de bombardeios e a garantia de passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos e o Irã estabeleceram um cessar-fogo bilateral com duração de duas semanas, interrompendo as operações de bombardeio e ataques entre as duas nações. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (7) pelo presidente Donald Trump, após a mediação de líderes do Paquistão, que propuseram a trégua. O acordo baseia-se em uma proposta de 10 pontos, considerada por Trump como um fundamento viável para a condução de negociações.
Em resposta oficial, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Abbas Araqchi, confirmou que o país interromperá as ofensivas, condicionando a medida à ausência de novas ameaças ou ataques americanos. Como parte do entendimento, o governo iraniano garantiu a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz durante o período de quatorze dias, operação que será coordenada pelas Forças Armadas do Irã e observará as limitações técnicas da região.
A suspensão das hostilidades ocorre após Donald Trump ameaçar a aniquilação total da civilização iraniana caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto. O presidente afirmou que, sem a reabertura, uma civilização inteira morreria naquela noite sem possibilidade de recuperação. Na segunda-feira (6), ao ser questionado nos jardins da Casa Branca se tais declarações configurariam um crime de guerra, Trump não respondeu ao jornalista.
A ameaça de extermínio colide com normas de convenções internacionais, como a de Genebra e a Convenção sobre Prevenção do Genocídio, que vedam ataques a infraestruturas civis e exigem a proporcionalidade em ações militares. O Irã é o herdeiro da civilização persa, que possui um legado histórico estimado entre 2,5 mil e 3 mil anos, com impactos globais nas áreas de ciência, filosofia e cultura.