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Estados Unidos e Irã firmam acordo preliminar para encerrar conflito e suspender sanções econômicas

18 de Junho de 2026 às 09:08

Estados Unidos e Irã assinaram acordo preliminar para encerrar conflito, prevendo a suspensão de sanções, fundo de US$ 300 bilhões e a não produção de armas nucleares. O pacto estabelece prazo de 60 dias para um tratado definitivo e a reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias. O documento também aborda a redução de urânio enriquecido sob supervisão da AIEA e a soberania territorial do Líbano

Estados Unidos e Irã firmam acordo preliminar para encerrar conflito e suspender sanções econômicas
Getty Images via BBC

Estados Unidos e Irã firmaram um acordo preliminar para encerrar o conflito entre as duas nações, estabelecendo um prazo de até 60 dias, prorrogáveis, para a redação de um tratado definitivo. O documento, um memorando de entendimento composto por 14 parágrafos, prevê a suspensão de sanções contra Teerã e a criação de um fundo de reconstrução e desenvolvimento econômico para o país no valor mínimo de US$ 300 bilhões. Em contrapartida, o governo iraniano renovou o compromisso de não desenvolver armamentos nucleares.

Apesar do avanço, a estabilidade do pacto é fragilizada por tensões bilaterais. O presidente Donald Trump alertou que a retomada de operações militares é possível caso o acordo fracasse. Do lado iraniano, o principal negociador e presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, manifestou desconfiança em relação aos EUA, afirmando que o país permanece em estado de alerta.

Um dos pontos centrais do documento é a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde transitava 20% do petróleo e gás global antes da paralisação em fevereiro. A previsão é que a navegação seja totalmente restaurada em 30 dias, dependendo da remoção de minas marítimas pelo Irã. O acordo estabelece que a via permanecerá isenta de pedágios nos primeiros 60 dias, embora Teerã pretenda cobrar taxas de serviço no futuro, medida que os EUA e Estados do Golfo tendem a rejeitar por contrariar o direito internacional e elevar o risco de nova escalada militar.

A questão nuclear segue como um desafio pendente para a fase final das negociações. O Irã acumulou cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60% até o ano passado — nível inferior aos 90% necessários para armas, mas superior ao limite de 3,67% estabelecido no acordo de 2015. Ficou acordado que o material existente será reduzido no local sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Durante a janela de 60 dias, as partes manterão o status quo: Teerã não ampliará suas atividades nucleares e Washington não imporá novas sanções nem aumentará a presença militar na região.

O conflito no Líbano também integra o memorando, que garante a soberania e integridade territorial do país. No entanto, a interpretação do cessar-fogo diverge. Enquanto o Irã e o Hezbollah consideram o fim da guerra no Líbano e a retirada total das tropas israelenses como partes inseparáveis do acordo, os EUA afirmam que a saída de Israel não é uma condição e que o país mantém o direito de autodefesa.

Essa divergência reflete-se no terreno: Israel continua a realizar ataques em áreas como Nabatieh al-Fawqa e Kfar Tebnit, ignorando a recomendação de Trump para que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fosse mais responsável. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, declarou que as forças de seu país permanecerão em zonas de segurança no Líbano por tempo indeterminado e prometeu resposta severa caso o Irã ataque Israel por conta do Líbano.

Para o Líbano, que contabiliza mais de 3,7 mil mortos e um milhão de deslocados, o presidente Joseph Aoun vê o acordo como uma oportunidade de encerrar o ciclo de violência. Contudo, a análise política indica que o processo pode colapsar se Teerã for arrastado para um confronto direto antes que as negociações nucleares sejam concretizadas.

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