Estados Unidos e Irã formalizam acordo inicial de paz para encerrar combates militares
Estados Unidos e Irã assinaram, na quarta-feira (17), um memorando de entendimento para cessar-fogo e iniciar negociações diplomáticas. O acordo não resolveu a questão do programa nuclear iraniano, que terá prazo de 60 dias para ser discutido. As partes divergem sobre a validade do pacto, com propostas de 10 e 20 anos
Os Estados Unidos e o Irã formalizaram, na última quarta-feira (17), um memorando de entendimento que estabelece um acordo inicial de paz. Embora o documento funcione primordialmente como um cessar-fogo para encerrar os combates e abrir caminho para a diplomacia, ele representa uma vitória parcial para Teerã, apesar do pesado custo humano e militar do conflito. Durante a guerra, o Irã registrou a morte de milhares de civis, a perda de grande parte de sua Marinha e Força Aérea, além do falecimento de seu Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
A capacidade de negociação iraniana foi sustentada pelo controle estratégico do Estreito de Ormuz. Ao fechar a passagem em fevereiro, em resposta às ofensivas de Israel e dos EUA, o Irã impactou o comércio global e elevou os preços de gás e petróleo, utilizando esse ponto de escoamento para impor suas exigências. Com isso, o país conseguiu frear a expansão da influência de Israel no Oriente Médio e manteve sua capacidade de imposição militar contra adversários e aliados americanos na região, como Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita.
No âmbito diplomático, o Irã agora busca o fim de sanções econômicas e o acesso a um fundo de US$ 300 bilhões. O país tenta viabilizar esses termos sem precisar desmantelar sua rede de influência, que inclui grupos como os houthis, no Iêmen, e o Hezbollah, no Líbano.
Paralelamente, Israel enfrentou um cenário de múltiplas frentes de combate desde outubro de 2023. A ofensiva israelense enfraqueceu diversos eixos de poder ligados ao Irã, resultando na morte do líder do Hezbollah, Hasan Nasrallah, e na queda do regime xiita de Bashar al-Assad na Síria, substituído por uma liderança sunita. Contudo, Israel não atingiu o objetivo de neutralizar o programa de mísseis balísticos e drones iranianos, que permanecem como ameaças ao território israelense.
O ponto mais crítico do novo tratado, o programa nuclear iraniano, não foi resolvido no documento inicial. As partes dispõem de 60 dias para negociar a questão, com a possibilidade de prorrogação por mais 60 dias. Atualmente, o Irã possui cerca de 11 toneladas de urânio enriquecido a 60%, aproximando-se dos 90% necessários para a produção de armas nucleares.
As negociações atuais resgatam a tensão do acordo de 2015, firmado na gestão de Barack Obama, do qual Donald Trump retirou os EUA unilateralmente por considerá-lo desfavorável. Agora, há uma disputa sobre a validade do novo pacto: enquanto Trump busca um prazo de 20 anos e o Irã propõe 10, a tendência é que se chegue a um consenso de 15 anos, similar ao modelo anterior.