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Estados Unidos e Irã trocam ataques a infraestruturas críticas e interrompem fluxo energético no Golfo

18 de Julho de 2026 às 06:12

Estados Unidos e Irã trocaram ataques contra infraestruturas críticas e alvos logísticos nesta sexta-feira (17), resultando em mortes e danos em usinas no Kuwait. A instabilidade no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz causou a alta de 3% no preço do petróleo Brent

Estados Unidos e Irã trocam ataques a infraestruturas críticas e interrompem fluxo energético no Golfo
AP/Vahid Salemi

A escalada militar entre Estados Unidos e Irã atingiu um novo patamar nesta sexta-feira (17), com a troca de ataques a infraestruturas críticas e a interrupção do fluxo energético no Golfo Pérsico. O cenário de instabilidade surge após o colapso do cessar-fogo firmado entre as duas nações em junho, elevando o risco de um conflito aberto semelhante ao ocorrido entre março e abril.

Ofensivas e baixas no Irã

As forças norte-americanas concentraram seus ataques em pontes e logística militar no sul do Irã, marcando a sétima noite consecutiva de operações. No porto de Bandar Khamir, a destruição de pontes e o impacto em uma estação ferroviária resultaram na morte de sete pessoas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, confirmou que três dessas vítimas eram civis que atravessavam a ponte no momento da explosão.

Além do litoral, a ofensiva atingiu o aeroporto de Iranshahr, na província fronteiriça com o Paquistão, e causou explosões nas cidades de Sirik, Ahvaz e Yazd. O Comando Central Militar dos EUA justificou que os alvos eram infraestruturas logísticas militares, visando ampliar as opções estratégicas do presidente Donald Trump, que ameaçou realizar ataques aéreos em larga escala e não descarta incursões terrestres em ilhas ou na costa iraniana.

Retaliações iranianas e impacto no Kuwait

Teerã respondeu atingindo países do Golfo que sediam bases aéreas dos EUA, como Catar, Barein e Kuwait. No Kuwait, um ataque iraniano atingiu uma usina de geração de energia e dessalinização de água, provocando incêndios e a interrupção de diversas unidades elétricas. O Exército do Kuwait relatou danos materiais por estilhaços e feridos entre soldados devido a ataques com drones, embora tenha interceptado mísseis balísticos disparados desde o amanhecer.

No Oceano Índico, a Marinha iraniana afirmou ter disparado um míssil de cruzeiro terra-mar contra um navio dos Estados Unidos, forçando a embarcação a se afastar.

Tensões marítimas e crise energética

O conflito se estendeu a pontos estratégicos de transporte de petróleo. No Estreito de Ormuz, fuzileiros navais dos EUA abordaram um petroleiro, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana atacou um navio com bandeira tailandesa. Paralelamente, homens armados apreenderam outra embarcação na foz do Mar Vermelho, próximo ao Iêmen, ameaçando a segurança de um dos principais gargalos logísticos do Oriente Médio.

Essa instabilidade provocou uma alta de 3% no preço do petróleo bruto Brent, que registra seu terceiro ganho semanal consecutivo. O cenário gera pressão política sobre Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Reações diplomáticas e riscos regionais

O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada, especialmente quanto aos ataques a infraestruturas civis. Do lado iraniano, o assessor do líder supremo, Mohsen Rezaei, alertou que qualquer tentativa de ocupação de território iraniano ou nova escalada dos EUA terá consequências.

O atual estado de crise é reflexo da ruptura do acordo provisório de paz, ocorrida em 7 de julho, quando o Irã atacou navios no Estreito de Ormuz e os EUA responderam com bombardeios. Desde então, o Irã decretou o fechamento do estreito e Washington retomou o bloqueio aos portos iranianos.

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