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Estados Unidos e Irã trocam ataques militares após colapso de acordo de cessar-fogo

28 de Junho de 2026 às 15:02

O acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, firmado em 17 de junho, colapsou com ataques militares mútuos nos dias 27 e 28. Washington bombardeou alvos no Irã, enquanto Teerã lançou mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein

Estados Unidos e Irã trocam ataques militares após colapso de acordo de cessar-fogo
Evelyn Hockstein/Reuters e Angelina Katsanis/AP Photo

O acordo de cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho, que visava encerrar as hostilidades no Oriente Médio, entrou em colapso em menos de duas semanas, culminando em ataques militares diretos e ameaças de aniquilação do Estado iraniano. A crise atingiu o ápice neste sábado (27) e domingo (28), com Washington bombardeando alvos no território iraniano e Teerã respondendo com mísseis e drones contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein, onde um edifício residencial em Muharraq foi danificado.

O memorando de entendimento, formalizado presencialmente por Donald Trump em Versalhes e por Masoud Pezeshkian em Teerã, previa a interrupção imediata de conflitos em todas as frentes, incluindo o Líbano. O documento estabelecia a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio naval dos EUA, a liberação de ativos financeiros do Irã e a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões, custeado por nações do Golfo. A assinatura havia sido precedida, no dia 14 de junho, por adesões eletrônicas do vice-presidente JD Vance e de Mohammad Bagher Qalibaf, com a anuência do líder supremo Mojtaba Khamenei.

A instabilidade ressurgiu entre 20 e 21 de junho, quando Teerã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, alegando que os EUA não garantiram a cessação dos ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano. Em resposta, Donald Trump afirmou que o fechamento da rota resultaria no fim do Irã como país. Mesmo com tentativas de mediação do Catar e do Paquistão conduzidas por JD Vance, a tensão escalou para o campo marítimo.

No dia 24 de junho, a Agência Marítima da ONU organizou a evacuação de 11 mil marinheiros e centenas de navios, mas o plano foi suspenso no dia seguinte após o Escritório de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido reportar que um navio da Evergreen Marine, empresa taiwanesa, foi atingido por um projétil. Paralelamente, o secretário de Estado Marco Rubio alertou que a cobrança de taxas iranianas em águas internacionais causaria caos, enquanto o governo de Teerã condicionou a passagem de embarcações à sua autorização direta.

O confronto armado tornou-se explícito no sábado (27), após um drone iraniano atingir um petroleiro de bandeira panamenha. Os Estados Unidos reagiram com ataques aéreos a instalações de minagem e operações de drones na cidade portuária de Sirik. O governo iraniano classificou seus contra-ataques como "defensivos" e "decisivos", especialmente após a destruição de uma torre de comunicações em Sirik.

Diante do cenário, Donald Trump declarou que poderá "concluir militarmente o trabalho", sugerindo que a República Islâmica do Irã deixaria de existir. No Líbano, a instabilidade persiste: apesar de um acordo de desescalada entre Israel e o governo libanês na sexta-feira, as forças israelenses retomaram ataques contra militantes do Hezbollah sob a justificativa de que estes transportavam lançadores de foguetes.

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