Estados Unidos enviam porta-aviões ao Caribe após indiciamento formal de Raúl Castro por crimes
Os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS Nimitz ao Caribe e indiciaram Raúl Castro por crimes ocorridos em 1996. O governo de Donald Trump busca a mudança de regime em Cuba por meio de pressões econômicas e possível operação militar
A chegada do porta-aviões USS Nimitz ao Caribe, anunciada pelos Estados Unidos na quarta-feira (20), intensifica as suspeitas de que Washington planeja uma intervenção militar em Cuba. A movimentação naval ocorre simultaneamente ao indiciamento formal de Raúl Castro, de 94 anos, ex-presidente e figura influente no governo cubano.
O governo norte-americano acusa Raúl Castro de planejar e executar a derrubada de duas aeronaves do grupo de exilados Irmãos ao Resgate, em 1996. O indiciamento detalha quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos. O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que Castro deverá comparecer ao país para responder aos crimes, independentemente de sua vontade.
A estratégia atual de Donald Trump busca a mudança de regime na ilha até o final do ano. Para enfraquecer a gestão local, a Casa Branca implementou medidas como o bloqueio ao envio de petróleo, o que agravou a crise energética cubana. No entanto, a pressão econômica não atingiu os resultados esperados, levando conselheiros do governo a considerar a viabilidade de uma operação militar.
O cenário remete à ofensiva contra a Venezuela em janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro após ameaças e o envio de tropas ao Caribe. Naquela ocasião, Trump estabeleceu relação com a presidente interina Delcy Rodríguez, mantendo um governo alinhado aos interesses dos EUA. Em Cuba, a ausência de uma liderança capaz de negociar a transição política é vista como um complicador para a implementação de um modelo semelhante.
Do ponto de vista estratégico, os Estados Unidos possuem vantagens logísticas, como a proximidade da Flórida — a menos de 300 quilômetros da ilha — e a manutenção da base de Guantánamo em território cubano. Uma operação rápida poderia visar a captura de Raúl Castro e do presidente Miguel Díaz-Canel. Contudo, há o risco de Cuba reagir com uma guerra de guerrilha no interior do país, embora a grave crise econômica possa gerar apoio popular a uma intervenção.
Apesar da pressão, Donald Trump indicou no dia 1º de maio que a prioridade imediata é a resolução da questão do Irã antes de agir contra Cuba.
Juridicamente, a possibilidade de um ataque enfrenta barreiras no direito internacional. De acordo com a Carta da ONU, o uso da força é permitido apenas em legítima defesa ou com aval do Conselho de Segurança. Argumentos baseados em autoritarismo, violações de direitos humanos ou alianças com Rússia e China não constituem justificativas legais para intervenção, tornando a ameaça do uso da força igualmente questionável sob a ótica internacional.
Politicamente, a Casa Branca vê na ação contra Cuba uma oportunidade de conquista junto ao eleitorado americano, especialmente entre conservadores e exilados cubanos, buscando repetir o impacto político obtido na Venezuela e contrastar com a percepção de fracasso da ofensiva contra o Irã.