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Estados Unidos formalizam acusações criminais contra o ex-presidente de Cuba Raúl Castro

20 de Maio de 2026 às 15:28

Os Estados Unidos formalizaram acusações criminais contra Raúl Castro por quatro homicídios, destruição de duas aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos. O processo baseia-se na derrubada de aviões do grupo "Brothers to the Rescue" em 1996, incluindo outras cinco pessoas como rés

Estados Unidos formalizam acusações criminais contra o ex-presidente de Cuba Raúl Castro
Getty Images via BBC

Os Estados Unidos formalizaram acusações criminais contra o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro. De acordo com registros judiciais, o líder de 94 anos é acusado de quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos. A moção apresentada por Washington para tornar a denúncia pública cita ainda outras cinco pessoas como rés.

A base do processo deve recair sobre a derrubada de dois aviões civis em fevereiro de 1996, evento ocorrido enquanto Raúl Castro exercia o cargo de ministro da Defesa e seu irmão, Fidel Castro, governava a ilha. As aeronaves eram do grupo anticastrista "Brothers to the Rescue", composto por exilados cubanos nos EUA. O incidente resultou na morte de quatro tripulantes, sendo três deles americanos.

O histórico de Raúl Castro é marcado por sua atuação como guerrilheiro ao lado de Fidel e Che Guevara em 1958, culminando na deposição de Fulgencio Batista e na implementação do regime socialista. Durante cinco décadas como ministro da Defesa, ele coordenou o envio de centenas de milhares de militares para conflitos de independência em Angola e outros países africanos entre as décadas de 1970 e 1980. No início da revolução, também foi responsável por ordens de execução de agentes da ditadura anterior.

Raúl assumiu a liderança de Cuba em 2006, após o adoecimento de Fidel, e governou até sua aposentadoria em 2021, quando transferiu o cargo para Miguel Díaz-Canel. Sua gestão foi caracterizada por um perfil pragmático, com a implementação de reformas econômicas que permitiram a venda de imóveis e o crescimento do setor privado, além da libertação de opositores e a flexibilização de viagens ao exterior. Em 2014, promoveu o restabelecimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, processo que foi interrompido em 2016 com a chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Atualmente, a relação entre Washington e Havana atravessa um período de forte tensão. Os Estados Unidos pressionam por reformas políticas e econômicas profundas no sistema cubano, exigências que o governo de Miguel Díaz-Canel rejeita sob o argumento de soberania nacional, afirmando que a ilha não representa ameaça.

Como forma de intensificar a pressão, os EUA impuseram um embargo petrolífero e, em 1º de maio, Donald Trump assinou uma ordem executiva ampliando sanções financeiras, comerciais e econômicas que já duram mais de sessenta anos. O cenário é agravado por declarações de Trump sugerindo que Cuba seria o próximo alvo, em um contexto onde intervenções militares americanas tornaram-se plausíveis após eventos recentes na Venezuela e no Irã.

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