Estados Unidos formalizam acusações criminais contra Raúl Castro por homicídios e destruição de aeronaves
Estados Unidos formalizaram acusações criminais contra Raúl Castro e outras cinco pessoas por quatro homicídios, destruição de duas aeronaves e conspiração. O processo refere-se ao abate de aviões do grupo Brothers to the Rescue em 24 de fevereiro de 1996
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Os Estados Unidos formalizaram, nesta quarta-feira (20), acusações criminais contra Raúl Castro, de 94 anos e ex-presidente de Cuba. O processo imputa ao ex-mandatário a responsabilidade por quatro homicídios, a destruição de duas aeronaves e a conspiração para matar cidadãos americanos.
As denúncias remontam a 24 de fevereiro de 1996, período em que Raúl Castro atuava como ministro da Defesa, sob a liderança de seu irmão, Fidel Castro. Na ocasião, a Força Aérea Cubana abateu dois aviões Cessna C-337 pertencentes ao grupo Brothers to the Rescue, organização de exilados anticastristas sediada em Miami. O grupo realizava voos para localizar cubanos que tentavam fugir da ilha em embarcações precárias durante a crise econômica pós-fim da União Soviética. Com a implementação de acordos migratórios que previam a devolução de refugiados encontrados no mar, a organização passou a sobrevoar Cuba e a lançar panfletos contra o regime.
O ataque resultou na morte de quatro tripulantes: Armando Alejandre (45 anos), Carlos Costa (29), Mario de la Peña (24) e Pablo Morales (29), sendo três deles americanos. Enquanto o governo cubano alegou que as aeronaves violaram seu espaço aéreo, a Organização da Aviação Civil Internacional afirmou que a interceptação ocorreu em águas internacionais, no Estreito da Flórida. Em 1997, a Justiça americana condenou Cuba a pagar US$ 187,6 milhões em indenizações às famílias, valor parcialmente quitado com ativos congelados pelo Tesouro dos EUA.
Além de Raúl Castro, outras cinco pessoas foram denunciadas pelos mesmos crimes: Lorenzo Alberto Pérez Pérez, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga e Raúl Simanca Cárdenas. Caso sejam julgados em solo americano e condenados, os réus enfrentam penas que variam de cinco anos de prisão por aeronave destruída a prisão perpétua ou pena de morte pelos homicídios e pela conspiração.
A movimentação jurídica ocorre em um cenário de alta tensão diplomática. Washington tem pressionado Havana por reformas políticas e econômicas, exigências que o governo cubano rejeita sob a justificativa de soberania nacional. Como medida de pressão, os EUA impuseram um embargo petrolífero e, em 1º de maio, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva ampliando sanções financeiras e comerciais vigentes há mais de seis décadas.
O cenário atual levanta a possibilidade de uma intervenção militar americana, similar à operação que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro e sua transferência para Nova York. A possibilidade de uma ação contra a ilha é reforçada por declarações do próprio Donald Trump, que indicou Cuba como o próximo alvo.