Estados Unidos impõem restrições de visto e permanência para a seleção do Irã na Copa
A seleção do Irã enfrenta restrições nos Estados Unidos para a Copa do Mundo, com vistos liberados tardiamente e obrigatoriedade de deixar o país após os jogos. A equipe transferiu sua base para o México e teve a cota de ingressos para torcedores revogada
A seleção de futebol do Irã enfrenta severas restrições logísticas e diplomáticas para disputar a Copa do Mundo nos Estados Unidos, reflexo das tensões geopolíticas entre as duas nações. Mesmo com a assinatura de um acordo de paz no início da semana, a politização do evento resultou em imposições rigorosas ao elenco e à comissão técnica, que só obtiveram os vistos de entrada uma semana antes do torneio.
As determinações do governo de Donald Trump impõem que a delegação iraniana ingresse em território norte-americano apenas 36 horas antes de cada partida, devendo deixar o país imediatamente após o encerramento dos jogos. Devido a essas limitações, a equipe foi obrigada a transferir sua base de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México.
Essa dinâmica ficou evidente após a estreia da seleção, que empatou em 2 a 2 contra a Nova Zelândia, em Los Angeles. Por ordem do governo anfitrião, a equipe precisou partir na madrugada de segunda-feira (15), poucas horas após o apito final, enfrentando ainda entraves burocráticos com os vistos de alguns integrantes. O cenário levou o técnico Amir Ghalenoei a questionar a humanidade do tratamento dispensado aos atletas em conversa direta com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, no vestiário.
A pressão externa estendeu-se aos torcedores. Em 9 de junho, dois dias antes da abertura, os Estados Unidos revogaram a cota de 8% dos ingressos que a Federação de Futebol do Irã (FFIRI) teria direito a distribuir, impossibilitando a viagem de apoiadores. A presença iraniana nos estádios ficou restrita aos cerca de 630 mil cidadãos que já residem nos EUA, que concentram a maior comunidade do país fora do Irã. A proibição de entrada no país durante a Copa também atinge cidadãos do Haiti, outra nação participante.
O clima de instabilidade marcou a primeira partida da equipe. No estádio, houve confisco de bandeiras e vaias durante a execução do hino nacional, enquanto, nas adjacências, manifestantes protestavam contra o regime dos aiatolás. No campo da comunicação, o capitão Mehdi Taremi manifestou insatisfação em coletiva de imprensa, criticando o fato de as perguntas dos jornalistas focarem em geopolítica em vez de futebol.