Estados Unidos indiciam Raúl Castro e deslocam porta-aviões para a região do Caribe
Os Estados Unidos intensificaram sanções econômicas e consideram uma intervenção militar para provocar a mudança de regime em Cuba. Em 20 de maio, o governo americano indiciou Raúl Castro por crimes cometidos em 1996 e deslocou o porta-aviões USS Nimitz para o Caribe
Os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre Cuba com o objetivo de forçar um acordo que possa levar à queda do governo da ilha. O presidente Donald Trump, que já sugeriu a possibilidade de tomar o território à força, busca promover uma mudança de regime até o final do ano. Para isso, a Casa Branca tem adotado medidas como o bloqueio ao envio de petróleo, o que agravou a crise energética cubana, embora avaliações internas indiquem que a pressão econômica não trouxe os resultados esperados.
Nesse cenário, o governo norte-americano passou a considerar seriamente a realização de uma operação militar. A estratégia inicial previa que o endurecimento das sanções, somado às vitórias militares dos EUA na Venezuela e no Irã, intimidaria a liderança cubana. No entanto, a falta de um interlocutor capaz de negociar uma transição política, similar ao que ocorreu com Delcy Rodríguez na Venezuela, dificulta a definição do período pós-intervenção.
A escalada de tensão ganhou novos contornos no dia 20 de maio, quando os EUA indiciaram formalmente Raúl Castro, de 94 anos e ainda influente no governo. O ex-presidente de Cuba é acusado de planejar e executar a operação que, em 1996, derrubou duas aeronaves da organização Irmãos ao Resgate. O indiciamento envolve quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos. O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou que Castro comparecerá aos EUA para responder às acusações, independentemente de sua vontade.
Simultaneamente ao indiciamento, o porta-aviões USS Nimitz foi deslocado para a região do Caribe. A movimentação militar e a estratégia jurídica remetem à ofensiva de janeiro contra a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Uma operação similar em Cuba poderia visar a captura de Raúl Castro e do presidente Miguel Díaz-Canel para posterior prisão em território americano.
Do ponto de vista logístico, os EUA possuem vantagens estratégicas, como a proximidade da Flórida — a menos de 300 quilômetros da ilha — e a manutenção da base militar de Guantánamo em solo cubano. Contudo, uma intervenção militar poderia enfrentar resistência na forma de uma guerra de guerrilha no interior do país, embora a gravidade da crise econômica local possa gerar apoio popular a uma ação externa.
No campo do direito internacional, a ONU indica que as justificativas atuais dos EUA podem não ser suficientes para respaldar uma invasão. A Carta da ONU limita o uso da força a casos de legítima defesa após um ataque armado ou mediante autorização do Conselho de Segurança. Ações unilaterais baseadas em regimes autoritários ou desrespeito aos direitos humanos não configuram, legalmente, justificativa para intervenção militar.
Politicamente, a Casa Branca vê na questão cubana uma oportunidade de conquista junto ao eleitorado, especialmente entre grupos conservadores e exilados cubanos. Tal movimento contrastaria com a percepção de fracasso da ofensiva contra o Irã. Sobre o cronograma, Donald Trump indicou no dia 1º de maio que a ação contra a ilha poderá ocorrer após a resolução das pendências com o Irã, priorizando a conclusão de um conflito antes de iniciar outro.