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Estados Unidos indiciam Raúl Castro por assassinato e conspiração para matar cidadãos americanos

21 de Maio de 2026 às 06:28

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou Raúl Castro por assassinato e conspiração devido à derrubada de aeronaves civis há 30 anos. O ex-ministro da Defesa de Cuba é acusado da morte de quatro pessoas, sendo três delas cidadãos americanos

Estados Unidos indiciam Raúl Castro por assassinato e conspiração para matar cidadãos americanos
Getty Images/BBC

O governo dos Estados Unidos indiciou formalmente o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, sob acusações de assassinato e conspiração para matar cidadãos americanos. A medida, anunciada nesta quarta-feira (20/5) pelo Departamento de Justiça, refere-se à derrubada de duas aeronaves civis operadas pelo grupo Irmãos ao Resgate, de Miami, ocorrida há 30 anos. Na época do ataque, que resultou na morte de quatro pessoas — três delas americanas —, Raúl Castro atuava como ministro da Defesa no governo de seu irmão, Fidel Castro.

A ação judicial, apresentada em Miami durante as celebrações da independência cubana, representa um precedente inédito nas sete décadas de hostilidade entre Washington e Havana, sendo a primeira vez que um alto funcionário cubano é formalmente acusado de assassinato pela Justiça americana. Caso seja condenado, o ex-mandatário, atualmente com 94 anos e aposentado da vida pública, poderá enfrentar a prisão perpétua ou a pena de morte.

O indiciamento ocorre em um cenário de extrema fragilidade econômica em Cuba, agravada por um bloqueio petrolífero imposto por Donald Trump. O presidente americano chegou a afirmar, em maio, a possibilidade de assumir o controle da ilha de forma quase imediata. A estratégia de Washington assemelha-se à adotada anteriormente contra a Venezuela, envolvendo sanções a autoridades, isolamento diplomático e a busca por fragilidades internas no governo. Em janeiro, os Estados Unidos capturaram o então presidente Nicolás Maduro após acusações de narcotráfico, expandindo sua influência em Caracas.

A pressão sobre Havana intensificou-se com a visita recente de John Ratcliffe, diretor da CIA, que exigiu reformas políticas e econômicas, além do fim de atividades de espionagem da Rússia e China em solo cubano. Ratcliffe reuniu-se com Raúl Rodríguez Castro, neto e guarda-costas do ex-presidente. Paralelamente, houve um aumento nos voos de vigilância americanos sobre a ilha e divergências sobre a aplicação de uma ajuda humanitária de US$ 100 milhões oferecida pelos Estados Unidos.

Marco Rubio, secretário de Estado e consultor de segurança nacional de Trump, defende a abertura de um novo capítulo nas relações bilaterais, sugerindo a transição para um regime baseado em eleições, iniciativa privada e liberdade de protesto. Em contrapartida, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou o indiciamento como uma manobra política sem base jurídica para justificar uma agressão militar, alertando que qualquer intervenção armada resultaria em um "banho de sangue".

Apesar das semelhanças com o caso venezuelano, a possibilidade de uma operação militar para capturar Raúl Castro é vista como mais complexa. Diferente de Maduro, que era o chefe de Estado no momento da detenção, Castro está afastado do poder formal. Além disso, a idade avançada do ex-presidente e o risco político de uma operação de captura tornam a execução mais difícil, podendo ser interpretada como o assassinato de um ex-chefe de Estado caso ocorra algum erro.

Até o momento, Donald Trump não detalhou seus objetivos finais para Cuba ou se utilizará de força militar, diferindo da movimentação naval realizada no Caribe antes da queda de Maduro. A substituição do governo cubano por um líder leal a Washington exigiria a cooperação das forças armadas e do Partido Comunista, alternativa ao controle direto do país, estratégia que os Estados Unidos evitam após a experiência no Iraque.

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