Estados Unidos indiciam Raúl Castro por conspiração para matar cidadãos americanos em 1996
Os Estados Unidos indiciaram o ex-presidente cubano Raúl Castro por conspiração, homicídio e destruição de aeronaves devido ao abate de dois aviões em 1996. Outras cinco pessoas também foram denunciadas, e Castro pode enfrentar prisão perpétua. O governo de Cuba classificou a medida como uma ação política
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O governo dos Estados Unidos indiciou formalmente o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, sob a acusação de conspiração para matar cidadãos americanos. A denúncia, apresentada pelo procurador-geral interino Todd Blanche na Casa Branca nesta quarta-feira (20/5), refere-se ao abate de duas aeronaves da organização de exilados Irmãos ao Resgate em 24 de fevereiro de 1996. Na época do ocorrido, Castro exercia o cargo de ministro das Forças Armadas.
Além da conspiração, o ex-líder responde por destruição de aeronaves e quatro acusações de homicídio. Outras cinco pessoas — Lorenzo Alberto Pérez Pérez, Luis Raúl González-Pardo Rodríguez, Emilio José Palacio Blanco, José Fidel Gual Barzaga e Raúl Simanca Cárdenas — também foram denunciadas por participarem do planejamento e da execução da operação militar. Caso seja condenado, Raúl Castro pode enfrentar a prisão perpétua, pena prevista para os crimes de conspiração e homicídio, enquanto a destruição de aeronaves prevê sentenças de até cinco anos cada.
O incidente de 1996, ocorrido no Estreito da Flórida, resultou na morte de todos os ocupantes dos aviões e provocou uma grave crise diplomática, levando o governo de Bill Clinton a endurecer as sanções contra o regime de Fidel Castro. Atualmente, o indiciamento amplia a pressão de Washington sobre Havana, ocorrendo em um cenário de crise econômica e energética extrema na ilha, agravada por sanções do governo Donald Trump e pela perda do apoio da Venezuela após a queda de Nicolás Maduro em janeiro.
Em resposta, o atual líder cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a medida como uma ação política sem base jurídica, alegando que o ataque de 1996 foi realizado em legítima defesa contra terroristas. Díaz-Canel afirmou que os Estados Unidos manipulam os fatos para tentar justificar uma eventual agressão militar contra Cuba.
Paralelamente ao processo judicial, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, publicou um vídeo direcionado à população cubana defendendo a transição para um modelo onde os cidadãos, e não o regime ou a Gaesa, possuam a propriedade de empresas, bancos e meios de comunicação. Rubio reiterou a oferta de US$ 100 milhões em medicamentos e alimentos em troca de cooperação com os Estados Unidos, criticando a liderança comunista por corrupção e opressão.
Questionado sobre a possibilidade de capturar Raúl Castro, de forma semelhante ao que ocorreu com Nicolás Maduro, o procurador Todd Blanche evitou comparações diretas, mas assegurou que a acusação não desaparecerá e que o ex-presidente comparecerá à Justiça norte-americana, seja por vontade própria ou por outros meios. Especialistas em relações internacionais e segurança, como Cynthia Arnson e Brian Fonseca, apontam que a captura de Castro seria mais complexa que a de Maduro, devido à maior coesão ideológica e institucional do regime cubano em resistir a pressões externas.