Estados Unidos indiciam Raúl Castro por crimes cometidos contra aeronaves de exilados em 1996
Os Estados Unidos indiciaram Raúl Castro por homicídios, destruição de aeronaves e conspiração relacionados a ataques em 1996. A medida ocorre sob pressão do governo Donald Trump, que bloqueou o petróleo cubano e mobilizou o porta-aviões USS Nimitz para o Caribe. Washington condicionou o avanço de negociações com Havana à saída de Miguel Díaz-Canel do cargo
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Os Estados Unidos indiciaram Raúl Castro, ex-presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro, por crimes cometidos em 1996. Na ocasião, enquanto atuava como ministro da Defesa, Castro teria planejado e executado a derrubada de duas aeronaves da organização de exilados Irmãos ao Resgate. As acusações contra o ex-mandatário, atualmente com 94 anos, incluem quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos.
A medida ocorre em meio a uma escalada de tensões e a um esforço do governo de Donald Trump para intensificar a pressão sobre a ilha, seguindo a lógica da operação que resultou na prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Após a intervenção na Venezuela, a Casa Branca bloqueou o envio de petróleo para Cuba, desencadeando uma crise energética severa. Desde fevereiro, o país enfrenta apagões constantes e esgotamento de reservas de combustíveis fósseis, essenciais para suas usinas termoelétricas.
O cenário de instabilidade é acompanhado por movimentações militares e declarações assertivas da Casa Branca. Donald Trump manifestou publicamente a intenção de assumir o controle de Cuba, afirmando em março que seria uma "honra" tomar a ilha e, em maio, sugeriu que a ocupação poderia ocorrer logo após o término do conflito com o Irã. Paralelamente, agências de inteligência dos EUA intensificaram o uso de drones e voos de vigilância nas proximidades de Havana, tática de intimidação similar à utilizada antes da operação na Venezuela.
No campo diplomático, o diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com autoridades cubanas em 14 de maio para transmitir a disposição de Trump em discutir segurança e economia, desde que Cuba realize "mudanças fundamentais". Embora a mídia estatal Cubadebate tenha mencionado interesse mútuo em cooperação de segurança, o governo de Miguel Díaz-Canel classificou o indiciamento de Raúl Castro como uma manobra política sem amparo jurídico. O presidente cubano alertou que uma intervenção militar na região resultaria em um "banho de sangue".
A pressão americana também se manifesta em anúncios recentes. Trump declarou estar "libertando Cuba", enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, propôs a construção de "uma nova Cuba" via relação direta com a população. O procurador-geral interino, Todd Blanche, afirmou que Raúl Castro comparecerá aos EUA para responder às acusações, independentemente de sua vontade. No Caribe, o Comando Sul confirmou a chegada do porta-aviões USS Nimitz, embarcação de porte similar à empregada na captura de Maduro.
Diante do agravamento da crise, Havana iniciou negociações com Washington em 13 de março. Informações indicam que a Casa Branca condicionou o avanço dessas conversas à saída de Miguel Díaz-Canel do cargo, embora não exija a derrubada imediata do regime comunista ou ações contra a família Castro.
As tratativas estariam sendo coordenadas por Marco Rubio, que manteria diálogos secretos com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente Raúl Castro. O interlocutor de 41 anos, embora sem cargo oficial, teria enviado uma carta a Trump em abril propondo acordos de investimento e alívio de sanções, ao mesmo tempo em que alertava que Cuba se prepara militarmente para uma eventual invasão norte-americana.