Estados Unidos iniciam construção de protótipo de silo para novos mísseis nucleares em Utah
Os Estados Unidos constroem em Utah um protótipo de silo para o míssil LGM-35A Sentinel, que substituirá o modelo Minuteman III. O projeto prevê cerca de 450 novas estruturas modulares e digitais nas Grandes Llanuras, com orçamento superior a 140 bilhões de dólares. A capacidade operacional do sistema é esperada para o início da década de 30
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Os Estados Unidos iniciaram a construção de um protótipo de silo de lançamento de mísseis nucleares em Promontory, Utah. A instalação servirá de modelo para a nova geração de bases que abrigarão o LGM-35A Sentinel, míssil balístico intercontinental destinado a substituir os LGM-30G Minuteman III. Estes últimos, remanescentes da Guerra Fria e em operação desde 1970 em Wyoming, Dakota do Norte e Montana, estão atingindo o fim de sua vida útil.
A Força Aérea dos EUA desistiu, em maio de 2025, da estratégia inicial de reabilitar os silos antigos, pois a estrutura de concreto moldado no local e a eletrônica analógica tornavam as modificações excessivamente caras e complexas. A nova abordagem prevê a construção de cerca de 450 silos e centros de controle distribuídos pelas Grandes Llanuras, em um projeto descrito por Frank Kendall, ex-secretário da Força Aérea, como a maior iniciativa da história da instituição. Devido à magnitude das obras civis, os senadores Roger Wicker e Deb Fischer compararam a complexidade da aquisição à construção da rede de autoestradas interestaduais finalizada nos anos 90.
O novo design substitui o concreto moldado por módulos pré-fabricados, transportados e montados no local para acelerar o cronograma e facilitar atualizações. A infraestrutura abandona a eletrônica analógica em favor de uma arquitetura baseada em software, trocando cabos de cobre por redes de fibra óptica blindada. O sistema adota componentes elétricos e mecânicos do tipo plug-and-play e utiliza modelos digitais para monitorar cada peça desde a fabricação até a instalação. Segundo o brigadeiro-general William Rogers, responsável pelo programa de ICBM, o protótipo em escala é fundamental para validar o design e mitigar riscos antes da produção em massa.
O Sentinel, que será alojado nessas estruturas, possui 18 metros de altura, combustível sólido de três estágios e capacidade para carregar uma ogiva nuclear de 475 quilotoneladas. O programa enfrentou entraves financeiros, com o orçamento saltando de 77,7 bilhões para mais de 140 bilhões de dólares, o que exigiu uma reestruturação do Pentágono para cumprir a legislação norte-americana. Os testes de lançamento estão previstos para 2027, mas a capacidade operacional deve ocorrer apenas no início da década de 30. Até lá, os Minuteman III permanecerão ativos para garantir a continuidade da cobertura nuclear.
Essa modernização ocorre enquanto os EUA mantêm a tríade de dissuasão — composta por bombardeiros, submarinos e mísseis terrestres — em um cenário de expansão nuclear global. Em 5 de fevereiro de 2026, encerrou-se sem renovação o Tratado Novo START, que limitava os arsenais de Washington e Moscou a 700 lançadores e 1.500 ogivas cada. Atualmente, a Rússia detém 5.459 ogivas e os EUA, 5.177, segundo a Federação de Cientistas Americanos. Rose Gottemoeller, negociadora original do tratado, descreve o período atual como uma era de imprevisibilidade total.
O cenário é agravado pelo crescimento do arsenal chinês, que já beira 600 ogivas, com acréscimos anuais de aproximadamente 100 unidades. O governo dos Estados Unidos acusa formalmente Pequim de realizar testes nucleares clandestinos na instalação de Lop Nur, desrespeitando a moratória global de 1996 para desenvolver ogivas táticas miniaturizadas.