Estados Unidos intensificam ofensiva militar contra o Irã com ataques a 140 alvos estratégicos
Os Estados Unidos atacaram cerca de 140 alvos da Guarda Revolucionária Islâmica no Irã após um ataque iraniano a um navio de contêineres. Em retaliação, o Irã atingiu alvos no Catar, Kuwait, Jordânia e Omã. O conflito ocorre durante a tentativa de mediadores de manter um acordo provisório de cessar-fogo
Os Estados Unidos intensificaram a ofensiva militar contra o Irã neste domingo (12), em uma nova rodada de ataques que atingiu cerca de 140 alvos, incluindo depósitos de munição, sistemas de mísseis, defesas aéreas, equipamentos de comunicação e locais de lançamento de drones. As operações, descritas como mais intensas que as de dias anteriores, focaram em instalações militares em diversas regiões, com destaque para a província ao sul, próxima ao Estreito de Ormuz, e áreas vizinhas a Teerã. A Força Armada americana confirmou que as ações miraram especificamente a Guarda Revolucionária Islâmica, braço paramilitar do governo iraniano.
A escalada atual foi desencadeada por um ataque iraniano a um navio de contêineres com bandeira do Chipre, que navegava próximo à costa de Omã. A embarcação sofreu danos graves na casa de máquinas e pegou fogo, resultando no desaparecimento de um tripulante de nacionalidade indiana, enquanto outros 23 foram resgatados pelas autoridades de Omã. A Guarda Revolucionária Islâmica justificou a ação alegando que navios ignoraram alertas de rota autorizados por Teerã, afirmando ter disparado um tiro de advertência para forçar a parada de uma das embarcações.
Em retaliação aos contra-ataques de Washington, o Irã lançou ofensivas contra países da região que possuem bases americanas ou relevância no tráfego marítimo. No Catar, interceptações de mísseis deixaram três feridos, incluindo uma criança. No Kuwait, houve danos a uma plataforma de exploração da Kuwait Oil Company e a três postos de fronteira terrestre, com um trabalhador ferido. A Jordânia registrou danos leves após ser atingida por três mísseis, e Omã reportou ataques de drones próximos à via marítima. O governo omanense, em medida inédita desde o início do conflito, convocou o embaixador iraniano para protestar contra a ação, classificada como irresponsável. Alertas de mísseis também foram emitidos no Bahrein, sede da 5ª Frota da Marinha dos EUA.
O conflito ocorre em um momento crítico para a diplomacia, com o Irã e os Estados Unidos próximos de completar 30 dias de um acordo provisório de 60 dias que visava o fim da guerra. Embora Donald Trump tenha declarado na semana passada que tal acordo estava encerrado, mediadores do Egito, Catar e Paquistão tentam manter o cessar-fogo. O governo paquistanês solicitou a redução da escalada em contato telefônico com a diplomacia iraniana.
A tensão central concentra-se no Estreito de Ormuz, rota por onde passava, antes da guerra, cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial. O Irã reivindica o controle exclusivo da passagem e a autoridade para cobrar embarcações, afirmando que a via permanecerá fechada até a normalização da situação. Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, declarou que a era de acordos unilaterais terminou. Em contrapartida, o governo americano e Trump sustentam que a passagem continua aberta. Dados do Exército dos EUA indicam que mais de 140 navios atravessaram a região na última semana, embora o tráfego opere em níveis reduzidos comparado à média diária anterior ao conflito.
No plano interno, o novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, fez sua primeira aparição pública no sábado (11), após o funeral de seu pai, Ali Khamenei. Em seu pronunciamento, o líder afirmou que o país vingaria a morte do pai, ocorrida nos ataques iniciais do conflito em 28 de fevereiro.