Estados Unidos intensificam ofensiva militar contra o Irã com ataques a 90 alvos estratégicos
O Comando Central dos Estados Unidos atingiu cerca de 90 alvos estratégicos no Irã nesta quarta-feira, após bombardeios a 80 alvos na terça-feira. As operações resultaram em 11 mortes e visam neutralizar ataques a navios no Estreito de Ormuz. Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica atacou bases americanas no Bahrein e no Kuwait
As forças do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) intensificaram a ofensiva militar contra o Irã nesta quarta-feira (8), atingindo cerca de 90 alvos estratégicos na costa iraniana. A operação visa neutralizar a capacidade de Teerã de atacar marinheiros civis e navios comerciais no Estreito de Ormuz. Entre as estruturas danificadas ou destruídas estão sistemas de defesa aérea, infraestrutura de logística militar, ativos de vigilância costeira, capacidades navais e locais de armazenamento de drones e mísseis.
Esta ação sucede uma primeira onda de bombardeios ocorrida na terça-feira (7), quando o Centcom atingiu aproximadamente 80 alvos, incluindo mais de 60 embarcações de pequeno porte do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica. O governo americano justificou a retaliação como resposta direta ao descumprimento de um cessar-fogo por parte do Irã, após o ataque a três embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte de petróleo e o comércio global.
O impacto humano dos ataques foi reportado por fontes iranianas. Na periferia de Ahvaz, o vice-governador de Khuzestan, Valiollah Hayati, confirmou três mortes e diversos feridos nesta quarta-feira. Já os bombardeios de terça, que atingiram as cidades de Bushehr e Bandar Abbas, resultaram na morte de oito soldados da Marinha e da Força Aérea. Mídia estatal do país também registrou explosões nas regiões de Sirik, Qeshm e Bandar Abbas.
Em Ancara, na Turquia, o presidente Donald Trump afirmou, durante coletiva de imprensa ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que o pacto com Teerã chegou ao fim. Posteriormente, antes de se reunir com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, Trump moderou a fala, questionando a manutenção do acordo, mas condenou o afundamento de 28 embarcações ocorrido na terça-feira. O presidente americano sinalizou a continuidade da ofensiva, alertando que os ataques seriam intensificados na noite de quarta-feira e que, se necessário, as forças dos EUA poderiam atingir estações de tratamento de água e o sistema de energia elétrica.
Em contrapartida, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã assumiu a responsabilidade por ataques a bases militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait, especificamente nas instalações de Sheikh Isa e Jufayr, no Bahrein, e em Ali al-Salem e Arifjan, no Kuwait. A força armada iraniana ameaçou expandir as investidas para outras bases americanas na região.
Fontes de segurança do Irã, via emissora Press TV, alertaram que o Estreito de Ormuz — por onde transitam 20% das exportações mundiais de petróleo e que havia sido reaberto após acordo no mês passado — será fechado caso ocorram novos ataques nesta quarta-feira. A fonte afirmou ainda que Teerã responderá a eventuais concretizações das ameaças de Trump com ataques a alvos inimigos em uma proporção de pelo menos dois para um. Diante da instabilidade, sistemas de defesa aérea foram acionados e sirenes ecoaram em países parceiros dos Estados Unidos durante a noite.