Estados Unidos interceptam drones iranianos que visavam navios comerciais no Estreito de Ormuz
Forças dos Estados Unidos derrubaram drones de ataque iranianos que visavam navios comerciais no Estreito de Ormuz neste sábado (13). O tráfego marítimo na região segue operando, enquanto Paquistão, EUA e Irã negociam um acordo de paz
Forças dos Estados Unidos interceptaram diversos drones de ataque iranianos na madrugada deste sábado (13), que visavam navios comerciais no Estreito de Ormuz. A operação, confirmada pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM), resultou na derrubada de todas as aeronaves não tripuladas de uso único. Apesar da ofensiva, o fluxo de tráfego marítimo na região, rota crucial para o transporte global de gás e petróleo, segue operando sem interrupções, embora o Irã mantenha um bloqueio no local desde o início do conflito.
O incidente ocorre em um momento de contradições diplomáticas, logo após Washington e Teerã sinalizarem que um pacto para encerrar a guerra no Oriente Médio estaria próximo. As negociações, mediadas pelo Paquistão, vêm sendo conduzidas sob um cenário de ataques e ameaças, mesmo com a existência de um cessar-fogo firmado em abril.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que o texto final para o acordo de paz já foi concluído, enquanto um alto funcionário americano estimou que a probabilidade de assinatura do documento nos próximos dias esteja entre 80% e 85%. A Suíça chegou a se oferecer como sede para a cerimônia, mas o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, indicou que a assinatura ocorrerá de forma remota.
Apesar do otimismo do mediador, as divergências sobre os termos do "Memorando de Entendimento de Islamabad" são profundas. O governo dos Estados Unidos, representado por Donald Trump e pelo vice-presidente JD Vance, sustenta que o Irã deve desmontar seu programa nuclear, destruir o estoque de urânio enriquecido e reabrir o Estreito de Ormuz para que ativos congelados, estimados em US$ 24 bilhões, sejam liberados. Vance enfatizou que não haverá liberação de recursos apenas pela assinatura do pacto, mas sim após o cumprimento das obrigações.
Por outro lado, a versão iraniana apresenta pontos distintos. O Ministério das Relações Exteriores do Irã, via porta-voz Esmaeil Baqaei, afirma que a maioria dos pontos já foi acordada. Para Teerã, o pacto prevê o fim do bloqueio naval americano em seus portos e a manutenção do direito de enriquecer urânio, sugerindo que o material já existente seja apenas diluído dentro do território nacional. Além disso, a agência estatal IRNA indica que o Irã pretende manter o controle sobre a circulação de navios no Estreito de Ormuz e que a liberação dos ativos financeiros ocorreria após um período adicional de 60 dias de conversas.
Israel, aliado de Washington, reforçou que a retirada do material nuclear iraniano é uma promessa central do acordo, ponto este que a mídia estatal do Irã nega fazer parte das negociações.