Estados Unidos investem 73,5 milhões de dólares em recomposição costeira no estado de Nova Jersey
Os Estados Unidos iniciaram em 2025 a recomposição costeira em Northern Ocean County, Nova Jersey, com o despejo de 1,6 milhão de metros cúbicos de areia. A operação, executada pela Great Lakes Dredge & Dock Company por US$ 73,5 milhões, ocorre entre maio e julho em sete localidades
Os Estados Unidos iniciaram em 2025 uma nova etapa de recomposição costeira no estado de Nova Jersey, utilizando a técnica de "engorda de praia" para proteger áreas urbanas contra a erosão e tempestades. O projeto, concentrado em Northern Ocean County, entre o Manasquan Inlet e o Barnegat Inlet, prevê a dragagem e o despejo de 2,1 milhões de jardas cúbicas de areia — aproximadamente 1,6 milhão de metros cúbicos — em trechos vulneráveis do litoral.
A operação, executada pela Great Lakes Dredge & Dock Company sob contrato de US$ 73,5 milhões, consiste na retirada de material de três áreas offshore autorizadas no Oceano Atlântico. A areia é bombeada para a costa e moldada conforme modelos de engenharia para ampliar praias, reparar dunas, cercas de areia, acessos e a vegetação nativa. A intervenção abrange as localidades de Seaside Heights, Toms River, Lavallette, Bay Head, Point Pleasant Beach, Mantoloking e Brick Township.
Diferente de estruturas rígidas, como muros de concreto e quebra-mares, que podem intensificar a erosão em áreas adjacentes, a reposição de areia cria uma zona de amortecimento flexível. Esse sistema absorve a energia das ondas e redistribui o material durante tempestades, dissipando o impacto antes que ele atinja a infraestrutura crítica, comércios e residências da região.
A escolha dos pontos de extração no fundo do mar segue critérios técnicos de granulometria e estabilidade do fundo oceânico para evitar danos ambientais. O cronograma de mobilização e bombeamento está previsto para ocorrer entre maio e julho, período que compreende o fim da primavera e o início do verão no hemisfério norte, dependendo de variáveis logísticas e climáticas.
A estratégia reflete a necessidade de adaptação diante de eventos extremos, como o furacão Sandy em 2012, que demonstrou a vulnerabilidade de cidades costeiras. Como o litoral é dinâmico e sofre perda gradual de areia, a intervenção em Nova Jersey não é um evento isolado, mas parte de um ciclo contínuo de manutenção.
Essa abordagem sinaliza uma mudança de paradigma na defesa costeira global, substituindo a tentativa de contenção fixa por um processo de gestão constante da linha de costa. O investimento massivo em logística e material ressalta a transformação da areia em um recurso estratégico para mitigar os efeitos da elevação do nível do mar e a intensidade de fenômenos climáticos.