Estados Unidos pedem que aliados na Ásia elevem gastos militares para conter a China
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, propôs que aliados na Ásia elevem os gastos militares para 3,5% do PIB, enquanto Washington investirá US$ 1,5 trilhão em suas Forças Armadas. Hegseth afirmou que os Estados Unidos podem retomar ataques ao Irã se as negociações diplomáticas falharem
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O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, defendeu a ampliação dos investimentos militares de aliados na Ásia para conter a expansão do poderio chinês e evitar a hegemonia de Pequim na região. Durante o Diálogo de Shangri-La, em Singapura, Hegseth argumentou que a construção de uma rede de parceiros autossuficientes é fundamental para dissuadir agressões e manter o equilíbrio de poder no Pacífico.
Para alcançar esse objetivo, Washington espera que os países parceiros elevem seus gastos com defesa para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em contrapartida, os Estados Unidos planejam investir US$ 1,5 trilhão em suas próprias Forças Armadas. A postura de Hegseth reforça a diretriz de Donald Trump ao exigir que nações ricas assumam a responsabilidade financeira por sua própria segurança, rejeitando a ideia de que os EUA continuem subsidiando a defesa de aliados ou aceitando "caronistas" em suas alianças.
O secretário destacou a cooperação de países como Austrália, Filipinas, Coreia do Sul, Singapura, Malásia e Tailândia, além de mencionar as medidas concretas adotadas pelo Japão para fortalecer sua defesa. Apesar da pressão por maiores gastos, Hegseth avaliou que a relação entre Estados Unidos e China apresenta melhoras significativas, com a intensificação de contatos militares para a gestão de tensões.
Essa percepção de melhora foi corroborada por Zhou Bo, coronel aposentado do Exército de Libertação Popular da China e membro da delegação chinesa. Zhou classificou a relação bilateral como complexa, mas observou que o tom adotado por Hegseth foi mais moderado do que no ano anterior, atribuindo a mudança à visita de Donald Trump à China e à manutenção de canais abertos de comunicação.
No cenário do Oriente Médio, Hegseth afirmou que os Estados Unidos estão preparados para retomar ataques contra o Irã caso as negociações diplomáticas não avancem. O presidente Donald Trump deve reunir conselheiros na Casa Branca para definir a decisão final sobre a proposta de encerramento da guerra com Teerã. O secretário de Defesa descartou que o conflito no Oriente Médio prejudique as prioridades estratégicas dos EUA na Ásia-Pacífico.
Sobre o fornecimento de armamentos para Taiwan, Hegseth minimizou a possibilidade de que a redução dos estoques militares americanos, causada pelo conflito no Oriente Médio, afete pacotes bilionários de vendas. Ele reiterou que a decisão final sobre a aprovação de novos pacotes de armas cabe a Donald Trump, mantendo a abordagem histórica de Washington, mesmo diante da recente aproximação com a China.