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Estados Unidos podem enfrentar ameaça de 16 mil mísseis até o ano de 2035

14 de Julho de 2026 às 12:23

Projeções da inteligência americana indicam que os Estados Unidos podem enfrentar mais de 16 mil mísseis até 2035, com destaque para arsenais da China e Rússia. O cenário motivou a criação do sistema de defesa Cúpula Dourada e a aquisição de 12 mil mísseis Blackbeard

Estados Unidos podem enfrentar ameaça de 16 mil mísseis até o ano de 2035
REUTERS Tingshu Wang

Os Estados Unidos enfrentam a perspectiva de ter seu território sob a mira de mais de 16 mil mísseis até 2035. O dado foi apresentado em março de 2026 por Tulsi Gabbard, então diretora de Inteligência Nacional, durante a Avaliação Anual de Ameaças da Comunidade de Inteligência. O volume projetado representa um aumento de cinco vezes em relação aos aproximadamente 3 mil mísseis estimados atualmente.

A projeção baseia-se em um relatório da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) de maio de 2025, elaborado após Donald Trump anunciar, em janeiro do mesmo ano, a criação da "Cúpula Dourada" (Golden Dome). Este sistema de defesa visa proteger o país contra ataques balísticos, hipersônicos, de cruzeiro avançados e outras ameaças aéreas de nova geração.

Expansão de arsenais globais

O relatório da DIA identifica cinco nações como as principais detentoras desse arsenal: China, Rússia, Irã, Coreia do Norte e Paquistão. A expansão é mais acentuada em duas categorias:

  • Mísseis hipersônicos reforçados: A China deve saltar de 600 para 4.000 sistemas, enquanto a Rússia passaria de 300 para 1.000.
  • Mísseis de cruzeiro de ataque terrestre (LACM): A China projetaria um aumento de 1.000 para 5.000, e a Rússia elevaria seu estoque de 600 para 5.000.

Quanto ao poder nuclear, o crescimento é mais gradual. Os mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) chineses devem subir de 400 para 700, e os lançados por submarinos (SLBM) passariam de 72 para ao menos 132, dados que corroboram o relatório do Pentágono de 2024.

Complexidade tecnológica e capacidades militares

A inteligência americana utiliza o termo "hipersônico reforçado" para agrupar veículos de deslizamento hipersônicos (HGV) — que deslizam na atmosfera superior a mais de Mach 5 — e mísseis aerobalísticos, que são híbridos entre o modelo balístico clássico e o HGV. O think tank britânico IISS indica que a China desenvolve plataformas híbridas que combinam ambas as tecnologias.

Entre os sistemas chineses atuais, o DF-27 possui alcance para atingir o Alasca, Honolulu e o noroeste dos EUA, enquanto o DF-61, um ICBM com potencial para integrar HGVs, está em desenvolvimento.

A Rússia opera com o Avangard, sistema de planeamento hipersônico com ogiva nuclear produzido em pequena escala (cerca de 12 unidades) sobre o míssil RS-SS-19 Stiletto mod 4, aguardando o novo ICBM Sarmat. O arsenal russo inclui ainda o Zirkon (naval aerobalístico) e o Kinzhal (balístico de lançamento aéreo), este último utilizado na Ucrânia com produção estimada entre 10 e 15 unidades mensais. Destaca-se também o Burevestnik, um míssil de cruzeiro com propulsão nuclear e alcance intercontinental, com possível base de lançamento no norte de Moscou.

Resposta estratégica e gargalos dos EUA

Apesar da urgência, a "Cúpula Dourada" e o arsenal ofensivo americano apresentam atrasos. O míssil hipersônico Dark Eagle, do Exército, não entrou em operação no prazo previsto (final de 2025). Mesmo sem a validação total do sistema, o Comando Central dos EUA solicitou sua implantação no Oriente Médio em abril de 2026 para conter a ameaça do Irã.

Para mitigar a lentidão tecnológica, o Pentágono adquiriu até 12.000 mísseis Blackbeard. Por serem mais baratos, a estratégia consiste em saturar as defesas inimigas por volume, em vez de focar na sofisticação técnica.

Alternativas privadas e testes em combate

Enquanto governos lidam com orçamentos lentos, a iniciativa privada surge como alternativa. Em fevereiro de 2026, a startup germano-britânica Hypersonica testou na Noruega um protótipo que superou Mach 6 e atingiu 300 quilômetros de alcance.

A aplicação real dessas tecnologias tornou-se evidente no Oriente Médio. No início de julho de 2026, o Irã realizou sua quarta onda de ataques hipersônicos contra Tel Aviv. O cenário expõe a vulnerabilidade americana ao enviar sistemas não validados para enfrentar armamentos já comprovados em combate.

Vale notar que as projeções da inteligência dos EUA podem ser superestimadas para justificar a "Cúpula Dourada", dado o histórico de erros em prazos, como as previsões de 1998 sobre a capacidade de mísseis intercontinentais do Irã e da Coreia do Norte.

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