Mundo

Estados Unidos preparam indiciamento de Raúl Castro por queda de aeronaves em 1996

15 de Maio de 2026 às 06:12

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos prepara o indiciamento de Raúl Castro pela queda de aviões do grupo Irmãos ao Resgate em 1996. A medida, conduzida pela Procuradoria do Distrito Sul da Flórida, aguarda a aprovação de um grande júri

Estados Unidos preparam indiciamento de Raúl Castro por queda de aeronaves em 1996
Norlys Perez / Reuters

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos prepara o indiciamento de Raúl Castro, ex-presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro. A medida, que depende da aprovação de um grande júri, é considerada iminente por fontes oficiais do governo americano. O foco da acusação criminal, conduzida pela Procuradoria do Distrito Sul da Flórida, recai sobre a queda de aeronaves do grupo humanitário Irmãos ao Resgate, ocorrida em 1996.

A movimentação jurídica acontece em um cenário de forte deterioração nas relações entre Washington e Havana. O governo de Donald Trump tem intensificado a pressão sobre a ilha, classificando a gestão comunista como incompetente e corrupta, enquanto defende a mudança de regime no país. Essa estratégia inclui a imposição de um bloqueio energético, com a ameaça de sanções a nações que forneçam combustível a Cuba, resultando em graves crises de abastecimento e apagões generalizados.

A asfixia econômica é evidenciada pelo esgotamento das reservas de combustível cubanas, conforme admitido pelo ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy. A situação culminou em protestos com panelaços em Havana e um apagão massivo no leste da ilha. Dados indicam que, em uma única terça-feira, 65% do território nacional sofreu cortes simultâneos de energia.

Diante do colapso, Washington ofereceu um auxílio humanitário de 100 milhões de dólares. O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, sinalizou a possibilidade de aceitar a verba, desde que a distribuição ocorra via Igreja Católica. Contudo, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, argumentou que a suspensão do bloqueio americano seria a maneira mais eficaz de socorrer a população.

Apesar do impasse, houve movimentações diplomáticas recentes. O governo cubano confirmou a realização de uma reunião com o chefe da CIA, John Ratcliffe. Na ocasião, Ratcliffe condicionou o engajamento dos Estados Unidos em questões de segurança econômica à implementação de "mudanças fundamentais" no regime cubano.

O uso de processos criminais contra líderes estrangeiros como pretexto para intervenções militares é uma prática já adotada pelo governo Trump. Em janeiro, a incursão militar na Venezuela foi justificada como uma operação de aplicação da lei para capturar Nicolás Maduro. Naquele período, o presidente americano chegou a afirmar que Cuba seria o próximo alvo após a Venezuela.

Questionados sobre o possível indiciamento de Raúl Castro, os departamentos de Justiça dos EUA e o Ministério das Relações Exteriores de Cuba não emitiram comentários imediatos.

Notícias Relacionadas