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Estados Unidos revisam presença militar na Europa e exigem maior autonomia de defesa dos aliados da Otan

18 de Junho de 2026 às 06:07

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ordenou uma revisão semestral da presença militar americana na Europa. A permanência das tropas dependerá da capacidade dos aliados da Otan em assumir a própria segurança

Estados Unidos revisam presença militar na Europa e exigem maior autonomia de defesa dos aliados da Otan
AP Photo/Virginia Mayo

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, determinou que o Pentágono realize uma revisão de seis meses sobre a presença de forças militares americanas na Europa. A manutenção desse contingente passará a depender da agilidade com que os países aliados da Otan assumam a responsabilidade por sua própria segurança.

Durante reunião com ministros da defesa da organização, que conta com 32 nações, Hegseth defendeu a transição para uma "Otan 3.0", caracterizada como uma aliança militar de linha dura e capaz de deter qualquer ameaça. O secretário exigiu que os europeus liderem a defesa do continente e assumam uma postura mais incisiva.

A tensão entre Washington e seus parceiros foi evidenciada pelas críticas de Hegseth ao fato de aliados europeus negarem o acesso de forças dos EUA a bases no continente para a realização de ataques contra o Irã. O secretário classificou a situação como vergonhosa, argumentando que a recusa em conceder sobrevoo e acesso a bases coloca em risco a vida de militares americanos.

Essa pressão ocorre após os Estados Unidos notificarem que não disponibilizarão mais determinados ativos militares, como porta-aviões, aeronaves de reabastecimento, navios de apoio e caças, em caso de ataques a aliados. O Canadá e as nações europeias agora buscam alternativas para suprir essas lacunas operacionais, enquanto o comandante supremo aliado da Otan, de nacionalidade americana, elabora planos de contingência para a defesa da Europa.

A mudança de postura da administração Trump reflete a necessidade de planejar a atuação em dois conflitos simultâneos, priorizando a disponibilidade de recursos militares para um eventual confronto com a China na região do Indo-Pacífico. Para sustentar essa estratégia, os Estados Unidos investirão US$ 1,5 trilhão em defesa própria até 2027, visando criar o que Hegseth denominou "arsenal da liberdade", focado primordialmente nos interesses americanos, embora sustente a força da aliança.

Apesar de a redução do suporte prático, as armas nucleares dos EUA permanecerão na Europa para garantir a dissuasão. A movimentação impacta a aplicação do Artigo 5 do tratado da Otan, que estabelece que um ataque a um membro é um ataque a todos, mas não obriga a prestação de apoio militar imediato.

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