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Estados Unidos usam controle de rotas marítimas e energia para pressionar a China em disputa estratégica

12 de Maio de 2026 às 09:15

Os Estados Unidos utilizam o controle de gargalos marítimos e fornecedores de petróleo para pressionar a China em rotas de comércio e energia. A estratégia envolve ações nos estreitos de Ormuz e Malaca, além de parcerias de defesa com a Indonésia. O cenário ocorre antes da visita do presidente Donald Trump a Pequim, prevista para maio

Estados Unidos usam controle de rotas marítimas e energia para pressionar a China em disputa estratégica
AFP via Getty Images/BBC

Os Estados Unidos intensificaram a atuação em pontos estratégicos de rotas globais de comércio e energia, utilizando o controle de gargalos marítimos e fornecedores de petróleo como instrumentos de pressão na disputa estratégica com a China. Essa movimentação abrange desde a pressão sobre a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, até o bloqueio do petróleo iraniano no estreito de Ormuz e ações no entorno do estreito de Malaca.

O cenário de tensões ocorre no momento em que o presidente Donald Trump se prepara para visitar Pequim entre 13 e 15 de maio, sua primeira viagem à China em quase uma década. Em 1º de maio, Trump classificou a agenda como "incrível", embora a visita ocorra sob a sombra de conflitos que se estendem do Sudeste Asiático à América Latina. Para mitigar riscos, o chanceler chinês e o secretário de Estado americano conversaram por telefone em 30 de abril para alinhar preparativos e discutir temas sensíveis, como o Oriente Médio e Taiwan.

A estratégia americana foca na vulnerabilidade energética chinesa. No Golfo Pérsico, a interferência no fluxo de petróleo do Irã atinge diretamente Pequim, que importava cerca de 90% das exportações iranianas antes da crise recente. Tais ações impactam a volatilidade dos preços globais de energia e as cadeias de abastecimento mundiais.

O controle de "chokepoints" — estreitos por onde passa grande parte do petróleo mundial — é central nessa dinâmica. O estreito de Ormuz movimenta aproximadamente 20% do consumo global de petróleo por via marítima. Já o estreito de Malaca, entre Indonésia, Malásia e Singapura, é vital para a China, por onde transitam mais de 80% de suas importações de petróleo. Para ampliar a vigilância sobre essa rota, Washington firmou em abril uma parceria de cooperação de defesa com a Indonésia e negocia maior acesso ao espaço aéreo do país, apesar de resistências internas em Jacarta devido à sua política de neutralidade.

Essa abordagem reflete a tentativa dos Estados Unidos de utilizar sua superioridade militar e naval para compensar a perda de terreno para a China em setores de tecnologia e comércio. A percepção da ascensão chinesa como ameaça estratégica é um ponto de consenso entre os partidos Democrata e Republicano, levando a governos sucessivos a criarem obstáculos ao desenvolvimento econômico de Pequim por meio de sanções, pressões diplomáticas e ações militares indiretas.

Por outro lado, a China tem implementado mecanismos de resiliência para enfrentar esse "estrangulamento". O país mantém reservas estratégicas volumosas, opera uma frota paralela de petroleiros e acelera a transição energética, com veículos elétricos e híbridos já representando mais da metade das vendas internas.

Pequim também detém alavancas de negociação: controla cerca de 70% da extração e 90% do processamento global de minerais críticos, essenciais para a defesa e tecnologia. Além disso, a China tem ampliado o uso do yuan em transações energéticas para reduzir a dependência do sistema financeiro dominado pelos americanos.

A visita de Trump a Pequim servirá como um termômetro para medir se a pressão sobre as rotas energéticas será utilizada como moeda de troca nas negociações ou se se consolidará como um fator permanente de instabilidade global.

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