Estratégia naval do Irã reduz tráfego de navios no Estreito de Hormuz em mais de 90%
O Irã utiliza embarcações rápidas e de baixo custo para interromper a navegação no Estreito de Hormuz, reduzindo o tráfego diário para cerca de 10 navios. A estratégia afeta 1,5 mil embarcações e 20 mil tripulantes, elevando os preços dos combustíveis devido ao choque de oferta
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A estratégia naval do Irã no Estreito de Hormuz, baseada em uma "frota de mosquitos" composta por embarcações rápidas e de baixo custo, tem provocado graves disrupções em uma das rotas marítimas mais vitais do planeta. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirme ter desmantelado a Marinha iraniana, reduzindo-a a barcos equipados apenas com metralhadoras, essas unidades continuam a ser instrumentos eficazes de pressão política e econômica contra Washington.
Desenvolvida na década de 1980 durante a Guerra Irã-Iraque, essa doutrina de guerra naval surgiu após a frota convencional de Teerã sofrer perdas expressivas em confrontos com os EUA no Golfo Pérsico. Operada pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a tática atual não visa o combate naval tradicional, mas sim a interrupção da navegação e o aumento dos riscos para empresas comerciais. A estratégia integra-se a um plano maior que envolve o uso de drones, mísseis, minas e ataques de grupos aliados em países vizinhos.
A frota, estimada entre 500 e mais de mil embarcações, utiliza barcos de ataque rápido equipados com foguetes, mísseis antinavio ou metralhadoras. Muitos desses veículos são versões adaptadas de barcos de pesca ou produções nacionais baratas, o que permite ao Irã repor perdas rapidamente. A dificuldade de detecção por radar, já que grande parte da estrutura permanece submersa, exige que os EUA e seus aliados mantenham vigilância constante com helicópteros e aeronaves de patrulha. Para dificultar a localização, as embarcações são frequentemente ocultadas em túneis, enseadas e cavernas na costa sul do país.
Na prática, o Irã aplica uma guerra de guerrilha no mar. Ao evitar combates abertos e focar em táticas como o lançamento de minas, disparos próximos a navios-tanque e ataques em enxame, Teerã consegue elevar os custos de seguro e desencorajar o tráfego comercial. Enquanto o Irã opera com ativos baratos, as potências ocidentais precisam mobilizar navios e aeronaves de alto valor para proteger a rota.
O impacto no fluxo marítimo é severo. Dados do Hormuz Strait Monitor indicam que apenas cerca de 10 navios transitam diariamente pela região, o que representa 8% da média usual de 60 embarcações. A Marinha Real do Reino Unido aponta que o tráfego geral está mais de 90% abaixo dos níveis anteriores à guerra. Houve uma recuperação temporária após um cessar-fogo em 8 de abril entre EUA, Israel e Irã, mas a tendência foi revertida quando Washington impôs um bloqueio às mercadorias iranianas.
A instabilidade persiste com ataques recentes, como o ocorrido na semana passada, quando um navio de carga com bandeira dos EUA foi atingido por um projétil a 43 km a nordeste de Doha, no Catar, resultando em um pequeno incêndio. Segundo a Organização Marítima Internacional das Nações Unidas, o bloqueio afeta aproximadamente 1,5 mil navios e 20 mil tripulantes. Essa redução drástica no volume de petróleo que atravessa o estreito gerou um dos maiores choques de oferta da história, elevando os preços do combustível a níveis próximos de recordes.