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Estudo do King's College de Londres aponta que sistema de dotes impulsiona feminicídios na Índia

17 de Julho de 2026 às 09:04

Estudo do King's College de Londres aponta que o sistema de dotes na Índia eleva os feminicídios para mais de 6.500 óbitos anuais. A prática ilegal gera violência contra noivas que não cumprem exigências financeiras e impulsiona abortos seletivos de meninas. No estado do Punjab, nascem 754 meninas para cada mil meninos

Estudo do King's College de Londres aponta que sistema de dotes impulsiona feminicídios na Índia
AFP - TAUSEEF MUSTAFA

A persistência do sistema de dotes na Índia tem impulsionado um crescimento alarmante nos índices de feminicídio, conforme aponta um estudo antropológico do King's College de Londres. Embora a prática seja ilegal desde 1961, ela permanece disseminada, transformando o casamento em uma transação financeira onde a incapacidade da família da noiva em cumprir exigências monetárias frequentemente resulta em violência e morte.

A lógica do mercado matrimonial

O estudo revela que o dote se reconfigurou como um valor de mercado. As demandas financeiras — que incluem dinheiro em espécie, joias, carros de luxo ou motocicletas de alto padrão — são proporcionais ao status social do noivo.

Nesse cenário, famílias investem na formação de filhos homens para carreiras de prestígio, como medicina ou engenharia, e utilizam o dote como mecanismo para recuperar esses gastos e obter retorno financeiro. Quando a noiva não atende a essas expectativas, ela é classificada sob uma "lógica extrativista" como um "mau negócio", tornando-se alvo de assédio, agressões físicas ou, em casos extremos, sendo queimada viva.

Evolução da violência e invisibilidade

A letalidade desse sistema apresentou um salto significativo nas últimas décadas. No início dos anos 1990, a Índia registrava cerca de 2 mil mortes anuais ligadas ao dote; atualmente, esse número ultrapassa 6.500 óbitos por ano, o que representa uma média de 15 a 16 mulheres mortas diariamente.

A pesquisa destaca a existência de um feminicídio estrutural amparado por uma "organização da indiferença". Diferente dos anos 1980, quando queimas de mulheres geravam escândalos públicos, a violência atual é mais insidiosa. O assédio contínuo tem levado diversas esposas ao suicídio, enquanto a imprensa local reporta os casos de forma banalizada.

Impactos no nascimento e demografia

A aversão ao custo financeiro do dote reflete-se também no feticídio. Para evitar despesas futuras, famílias realizam abortos seletivos de bebês meninas.

Esses dados impactam a demografia do país:
* Nível nacional: 927 meninas nascem para cada mil meninos.
* Estado do Punjab: A proporção cai para 754 meninas para cada mil meninos.

Barreiras à mudança cultural

Organizações de defesa dos direitos das mulheres e movimentos feministas argumentam que as leis vigentes são ineficazes. Para essas militantes, a solução exige uma revolução cultural e a mobilização de jovens para boicotar o sistema de dotes. O objetivo é romper a mentalidade de que o nascimento de uma menina representa uma ruína financeira, embora tais esforços enfrentem resistência diante da indiferença estrutural da sociedade indiana.

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