Estudo genético revela que a identidade viking era definida por estilo de vida e não etnia
A seleção da Noruega celebrou a vitória por 3 a 2 contra o Senegal na Copa do Mundo de 2026 com movimentos de remada e tambores. A ação remete à cultura dos vikings, cuja identidade social e estilo de vida superavam a composição genética
A comemoração da seleção da Noruega após vencer o Senegal por 3 a 2, na Copa do Mundo de 2026, trouxe novamente à tona a herança dos vikings. Durante a celebração, os jogadores simularam movimentos de remada em sincronia, enquanto o meio-campista Martin Ødegaard utilizava tambores e baquetas. A coreografia, que já é marca registrada da torcida norueguesa no torneio, remete às tradições marítimas e à história do povo escandinavo.
Originários da Dinamarca, Suécia e Noruega, os vikings viveram seu período de maior atividade entre os séculos 8 e 11 d.C. Esse grupo alternava entre a agricultura na primavera — cultivando nabo, repolho e cevada — e incursões de saque ao exterior durante o verão. Com o tempo, as populações que se fixaram nessas regiões passaram a focar no comércio e na ocupação de territórios.
A expansão desses povos pela Europa integrou conflitos e trocas comerciais. No leste, a fixação de vikings ao longo do rio Volga, na atual Rússia, deu origem ao nome do país e abriu rotas de comércio com o Império Bizantino e o mundo árabe. Através de saques a mosteiros, eles obtinham recursos para adquirir produtos que não produziam em suas fazendas, como especiarias, corantes e sal, trocando-os por peles, mel e pessoas escravizadas. A navegação levou esses grupos até a América do Norte no final do século 10, onde estabeleceram relações conflituosas com habitantes da Groenlândia e povos nativos, a quem chamavam de "Skræling".
O domínio tecnológico naval foi o diferencial que tornou os vikings navegadores temidos. Seus navios eram projetados para alta velocidade, transporte de contingentes humanos e navegação em rios, utilizando um design que reduzia a resistência da água. Para orientação, utilizavam bússolas solares — círculos com um pino central para medir a posição do sol — e cristais que alteravam a luminosidade conforme a direção, permitindo a navegação mesmo sob neblina.
Embora a cultura popular os descreva como guerreiros loiros e de olhos azuis, estudos genéticos recentes desconstroem essa imagem. Uma análise conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Copenhague sequenciou os genomas de 442 indivíduos da era viking, extraindo DNA de dentes e do osso petroso. O estudo, que comparou esses dados com sequências de milhares de pessoas da Antiguidade e da era moderna, revelou que a composição genética desses povos provinha do sul da Europa e da Ásia.
A diversidade étnica era acentuada pelas rotas comerciais que se estendiam do Afeganistão ao Canadá. A pesquisa indica que a característica "loira" era menos comum na Escandinávia daquela época do que é atualmente. Além disso, as trajetórias de expansão variaram por origem: dinamarqueses concentraram-se na Inglaterra, noruegueses na Irlanda, Islândia e Groenlândia, e suecos no Mar Báltico.
As conclusões científicas apontam que a identidade viking não era definida por etnia ou genética, mas sim por um estilo de vida e uma identidade social. O estudo identificou, inclusive, indivíduos com a cultura viking que não possuíam genes escandinavos, reposicionando a compreensão histórica sobre a formação desse povo.