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EUA deslocam porta-aviões USS Nimitz para o Caribe após indiciamento criminal de Raúl Castro

20 de Maio de 2026 às 18:09

O Comando Sul dos EUA deslocou o porta-aviões USS Nimitz para o Caribe enquanto o Departamento de Justiça indicia Raúl Castro por homicídios e conspiração. O ex-presidente cubano é acusado de envolver-se na derrubada de aviões civis em 1996

EUA deslocam porta-aviões USS Nimitz para o Caribe após indiciamento criminal de Raúl Castro
Reprodução: Marinha dos Estados Unidos

O Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos confirmou, nesta quarta-feira (20), o deslocamento do porta-aviões USS Nimitz para a região do Caribe. A movimentação militar ocorre simultaneamente ao indiciamento criminal do ex-presidente cubano Raúl Castro pelo Departamento de Justiça dos EUA, em um cenário de intensificação da pressão de Washington sobre o regime de Havana.

O USS Nimitz, que entrou em operação em 1975 e é classificado como o porta-aviões de propulsão nuclear mais antigo em atividade no mundo, possui 333 metros de comprimento e uma tripulação de aproximadamente 6 mil pessoas. O grupo de combate inclui ainda o Carrier Air Wing 17, o USS Gridley e o USNS Patuxent.

As acusações contra Raúl Castro, atualmente com 94 anos, referem-se a quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronaves e conspiração para matar cidadãos americanos. O caso central envolve a derrubada de dois aviões civis do grupo anticastrista "Brothers to the Rescue" em fevereiro de 1996, episódio ocorrido enquanto Castro era ministro da Defesa e seu irmão, Fidel Castro, chefiava o país. O ataque resultou na morte de quatro tripulantes, sendo três deles americanos. Outras cinco pessoas também figuram como rés no processo.

Paralelamente ao processo judicial, o presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos estão "libertando Cuba", afirmando que não pode prever os próximos passos em relação à ilha.

A escalada de tensão se soma a um histórico de pressões recentes. Desde a captura do venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, Washington exige reformas profundas no sistema político e econômico cubano, demandas que são rejeitadas por Havana sob a justificativa de soberania nacional. Como resposta, os EUA impuseram um embargo petrolífero e, em 1º de maio, Trump assinou uma ordem executiva ampliando sanções econômicas, financeiras e comerciais que já duram mais de seis décadas.

Raúl Castro, que completa 95 anos no próximo dia 3, teve trajetória marcada pela atuação como guerrilheiro ao lado de Fidel e Che Guevara na deposição de Fulgencio Batista em 1959. Durante cinco décadas como ministro da Defesa, coordenou o envio de milhares de militares para conflitos na África, especialmente em Angola. Assumiu a presidência em 2006, após a doença de Fidel, e governou até 2021, quando entregou o cargo a Miguel Díaz-Canel.

Durante seu mandato, Raúl Castro implementou reformas econômicas, permitiu a venda de imóveis, flexibilizou viagens ao exterior e libertou opositores. Em 2014, promoveu o restabelecimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, processo que foi interrompido em 2016 com a primeira chegada de Donald Trump à Casa Branca.

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