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EUA exigem que estrangeiros solicitem o green card em seus países de origem

22 de Maio de 2026 às 15:04

O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos determinou que estrangeiros solicitem a regularização imigratória para o green card em seus países de origem. A medida altera a política de ajuste imigratório no território americano e impõe critérios rigorosos para a abertura de exceções

O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) determinou, nesta sexta-feira (22), que estrangeiros interessados em regularizar a situação imigratória para a obtenção do green card — documento que permite a residência e o trabalho permanentes no país — devem realizar a solicitação em seus países de origem.

A medida, detalhada em um memorando do órgão, altera a política de "ajuste imigratório" dentro do território americano. O USCIS passou a tratar a concessão da residência permanente sem a passagem pelo consulado do país de origem como um benefício extraordinário, e não como um direito garantido. Com isso, os agentes imigratórios foram instruídos a aplicar critérios rigorosos de análise para decidir se há justificativa para abrir exceções a essa regra. A agência argumenta que a mudança permitirá a realocação de recursos para o processamento de outras demandas.

A decisão integra um conjunto de restrições à imigração implementadas pelo governo de Donald Trump no último ano. Entre as ações anteriores, destaca-se a revogação de mais de 100 mil vistos, informada pelo Departamento de Estado em janeiro. Em dezembro, houve a suspensão do Programa de Vistos de Imigração por Diversidade (DV Program), a chamada "loteria do green card", que oferece anualmente até 50 mil vistos para cidadãos de países com baixas taxas de imigração para os EUA.

A interrupção do DV Program ocorreu após a confirmação de que Claudio Manuel Neves Valente, autor de um ataque a tiros na Universidade Brown, utilizou esse mecanismo para entrar nos Estados Unidos em 2017 e obter a residência permanente. A informação foi divulgada por Kristi Noem, ex-secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS).

A nova diretriz do USCIS foi criticada pela organização de assistência a refugiados HIAS. A entidade afirma que a medida obriga crianças vítimas de negligência e abuso, além de sobreviventes de tráfico humano, a retornarem a países perigosos para processar seus pedidos de regularização.

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