Mundo

EUA instalam sistemas de energia direcionada em cinco bases estratégicas para neutralizar drones

29 de Maio de 2026 às 15:15

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos instalou sistemas de laser de alta energia e micro-ondas de alta potência em cinco bases estratégicas. A medida visa neutralizar drones e veículos aéreos não tripulados. As tecnologias protegem infraestruturas de inteligência, centros logísticos, navios, missões de vigilância e bombardeiros B-2 Spirit

EUA instalam sistemas de energia direcionada em cinco bases estratégicas para neutralizar drones

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos iniciou a implantação de sistemas de energia direcionada (DEW) em cinco bases estratégicas para neutralizar a crescente ameaça de drones e veículos aéreos não tripulados (VANTs). A medida responde à proliferação de modelos que variam de versões comerciais adaptadas a aeronaves de ataque sofisticadas, capazes de operar em enxames. Esse cenário torna as defesas aéreas tradicionais ineficazes e excessivamente caras, já que mísseis e projéteis cinéticos possuem custo elevado para abater alvos múltiplos de baixo valor.

A nova doutrina de defesa aérea baseia-se em duas tecnologias principais: o laser de alta energia (HEL) e as micro-ondas de alta potência (HPM). O sistema HEL concentra feixes de luz para superaquecer a estrutura ou a eletrônica do drone, derrubando-o com precisão a centenas de metros de distância e em velocidade próxima à da luz. A vantagem operacional reside no baixo custo por disparo, pois utiliza eletricidade em vez de propelentes e ogivas. Já o sistema HPM emite pulsos eletromagnéticos que desativam simultaneamente os circuitos de diversos drones, criando uma "área de negação" essencial para combater enxames, onde a interceptação individual por laser seria lenta.

A viabilização dessas ferramentas exigiu a superação de desafios técnicos complexos, como a criação de algoritmos de mira precisos, sistemas de resfriamento e fontes de energia compactas.

A escolha das bases para a instalação desses sistemas reflete a criticidade dos ativos protegidos. Em Fort Huachuca, no Arizona, a tecnologia resguarda a infraestrutura de pesquisa em guerra eletrônica e operações de inteligência próximas à fronteira. Em Fort Bliss, no Texas, a defesa assegura a continuidade de exercícios militares e a proteção de um centro logístico de grande escala.

No ambiente naval, a Naval Base Kitsap, em Washington, recebeu a tecnologia para proteger porta-aviões e submarinos nucleares, fundamentais para a dissuasão nuclear e projeção de poder da Marinha. Já a Grand Forks Air Force Base, na Dakota do Norte, foca na segurança de missões de vigilância e reconhecimento. Por fim, a Whiteman Air Force Base, no Missouri, prioriza a proteção dos bombardeiros furtivos B-2 Spirit, aeronaves de alto valor estratégico e custo bilionário.

A transição dessas tecnologias do laboratório para a operação real sinaliza uma mudança na guerra tecnológica, posicionando a energia direcionada como um elemento tão essencial quanto a artilharia e os mísseis diante de ataques assimétricos e autônomos.

Notícias Relacionadas