EUA pedem restrição de imagens de satélite após empresa chinesa criar IA de mapeamento militar
A chinesa MizarVision criou uma IA que mapeia alvos militares via satélite, o que levou os EUA a solicitarem a suspensão de imagens de alta resolução no Oriente Médio. A Agência de Inteligência de Defesa americana classifica o software como ameaça, enquanto o governo chinês nega as acusações
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A empresa chinesa MizarVision desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial capaz de identificar e mapear bases, aeronaves e sistemas de defesa em vastas áreas quase em tempo real. O sistema utiliza algoritmos de visão computacional para processar imagens de satélites comerciais e públicos, reconhecendo padrões militares para marcar automaticamente hangares, pistas de pouso, radares, navios e defesas aéreas. Essa tecnologia transforma fluxos de dados, que anteriormente demandavam equipes extensas de analistas, em mapas digitais de alvos prontos para uso militar.
A Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA) classifica o software como uma ameaça direta às suas forças. A MizarVision já divulgou imagens detalhadas e anotações automatizadas de ativos e bases americanas no Oriente Médio, demonstrando precisão na localização de navios de guerra e na distinção de modelos específicos de aeronaves. O ex-general australiano Gus McLachlan aponta que a precisão do sistema permite ataques a alvos com apenas 0,3 metros quadrados, tornando vulnerável qualquer equipamento que permaneça no mesmo local por mais de 24 horas. McLachlan cita como exemplo a precisão com que uma aeronave americana E-3 Sentry foi atingida.
O analista Ryan Fedasiuk afirma que o Irão está terceirizando parte de sua inteligência militar para empresas chinesas, obtendo dados de localização em tempo real. Como Teerã não possuía capacidades robustas de satélite antes da guerra, a IA da MizarVision reduz drasticamente o intervalo entre a detecção de um alvo e sua destruição, colocando em risco a vida de soldados americanos e australianos na região.
Em resposta, o governo dos Estados Unidos solicitou que fornecedores de imagens, incluindo a Planet Labs, suspendessem indefinidamente a publicação de fotos de alta resolução de áreas de conflito no Oriente Médio, ampliando uma restrição que anteriormente durava 14 dias.
O governo chinês nega as acusações e classifica os relatórios como sensacionalistas. O Ministério das Relações Exteriores de Pequim argumenta que as empresas utilizam fontes abertas em práticas comuns de mercado e devem seguir as leis vigentes. Fundada em 2021, a MizarVision se define como uma empresa privada que visa democratizar a análise de inteligência geoespacial. O governo chinês detém uma participação minoritária na companhia, o que lhe confere a possibilidade de restringir as atividades da empresa.
O cenário evidencia a militarização da inteligência artificial aplicada ao espaço, transferindo capacidades que antes eram exclusivas de agências estatais de inteligência para o setor privado, onde a distinção entre clientes comerciais e atores militares torna-se menos clara.