EUA suspendem exigência de caução para turistas de cinco países com ingressos para a Copa
Os Estados Unidos suspenderam a exigência de caução para turistas da Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia que possuam ingressos para a Copa do Mundo de 2026. A medida, solicitada pela Fifa, isenta viajantes desses cinco países do depósito de valores entre US$ 5 mil e US$ 15 mil
O governo dos Estados Unidos suspendeu a exigência de pagamento de caução para a entrada de turistas de cinco países que possuam ingressos para a Copa do Mundo de 2026. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado na última quarta-feira (13), beneficia cidadãos da Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia.
A regra anterior, estabelecida pela gestão de Donald Trump, obrigava viajantes de 50 nações a depositarem valores entre US$ 5 mil e US$ 15 mil (aproximadamente R$ 75 mil no teto máximo) para garantir que deixariam o território norte-americano após a visita. O montante seria devolvido ao fim da estadia ou em caso de negativa do visto. O Brasil não integrava essa lista e, portanto, seus cidadãos permanecem isentos da taxa.
A flexibilização agora é restrita a quem comprovar a compra de ao menos um ingresso para o torneio, que será sediado conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México a partir de 11 de junho. Antes dessa decisão, a isenção de fiança já era aplicada a técnicos, jogadores e membros de equipes da competição, como parte de uma estratégia para agilizar a emissão de vistos para o evento.
A Fifa solicitou a medida, que demandou a aprovação do Departamento de Segurança Interna e do Departamento de Estado. Em nota, a entidade agradeceu a parceria com a Casa Branca e a força-tarefa da Copa do Mundo, destacando a colaboração para a realização de um evento global.
Apesar da abertura para esses cinco países, a política imigratória para o período do Mundial permanece rígida. O governo mantém a proibição de entrada para viajantes do Haiti e do Irã, exceto para profissionais e atletas vinculados ao torneio. Além disso, cidadãos do Senegal e da Costa do Marfim ainda enfrentam restrições parciais de viagem, independentemente da isenção da caução.
Outras medidas de controle incluem a possibilidade de exigência do histórico de mídias sociais de estrangeiros pela Alfândega e Proteção de Fronteiras, embora a norma ainda não tenha sido implementada. Recentemente, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) foram mobilizados em aeroportos para suprir a ausência de funcionários da Administração de Segurança de Transporte, afetados por uma paralisação parcial do governo federal.
O rigor nas fronteiras gerou reações adversas. A Anistia Internacional e diversas organizações de direitos civis emitiram um alerta de viagem, questionando a compatibilidade dessas restrições com a natureza unificadora de um evento esportivo. No setor econômico, a associação de hotéis dos Estados Unidos apontou que as barreiras de visto e tensões geopolíticas reduziram a demanda internacional, resultando em um volume de reservas para a Copa significativamente menor do que o projetado.
A imposição da fiança no ano passado foi justificada pelo Departamento de Estado com base em problemas de segurança e no alto índice de estrangeiros de 50 países específicos que excediam o prazo de validade de seus vistos. Estimativas de autoridades norte-americanas indicavam que, até o início de abril, cerca de 250 torcedores seriam afetados por essa exigência financeira.