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Europa registra a onda de calor mais intensa de sua história com temperaturas recordes

28 de Junho de 2026 às 09:01

Onda de calor recorde na Europa afeta 190 milhões de pessoas e registra temperaturas de até 41,5°C na Alemanha. A França contabiliza cerca de mil mortes e a Espanha 212 óbitos, com impactos em serviços de saúde, infraestrutura e produção energética

A Europa enfrenta a onda de calor mais intensa já registrada no continente, com temperaturas extremas que afetam mais de 190 milhões de pessoas neste domingo (28), em diversas regiões onde os termômetros atingem ao menos 35°C. O fenômeno é impulsionado por um padrão atmosférico chamado "bloqueio ômega", que retém massas de ar quente sobre áreas específicas por longos períodos, impedindo a entrada de frentes frias.

A França é o país com o balanço mais grave, somando cerca de mil mortes acima da média esperada desde quarta-feira (24). A maioria das vítimas tem mais de 65 anos, com uma concentração de óbitos em domicílio, especialmente na região de Paris. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, alertou que o episódio permanece ativo e que os impactos à saúde podem persistir por até dez dias após a redução das temperaturas. Na Espanha, 212 mortes foram atribuídas ao calor extremo em um intervalo de quatro dias.

O registro de temperaturas recordes se espalhou por diversos países desde 20 de junho. A Alemanha atingiu 41,5°C no sábado, a maior marca da história do país, com previsões de chegar aos 42°C. Na República Tcheca, os termômetros marcaram 40,8°C ao norte de Praga, com expectativa de superar os 41°C neste domingo. A Suíça registrou 39°C em Basileia, batendo recordes para o mês de junho pelo terceiro dia consecutivo, enquanto a Dinamarca alcançou 37°C, a temperatura mais alta desde que as medições foram iniciadas.

A crise climática impactou a infraestrutura e a prestação de serviços. Em Paris e Viena, houve aumento na procura por atendimentos de emergência, levando hospitais e autoridades a adaptarem a operação para reduzir riscos. Eventos ao ar livre, manifestações e festivais foram adiados ou cancelados. Na Hungria, a usina nuclear de Paks reduziu a produção de energia devido ao aquecimento das águas do rio Danúbio, medida necessária para manter a segurança do resfriamento dos reatores. Na Alemanha, o calor causou rachaduras em rodovias e levou empresas ferroviárias a flexibilizar cancelamentos de viagens para evitar acidentes por deformação dos trilhos.

Cientistas afirmam que a magnitude deste evento seria praticamente impossível sem o aquecimento global causado pela atividade humana, prevendo que tais episódios se tornarão mais frequentes, intensos e duradouros.

As consequências estendem-se à economia, transformando o calor extremo em um desafio estrutural. A pesquisadora de políticas econômicas da seguradora Allianz, Katharina Utermöhl, aponta que temperaturas superiores a 30°C elevam o consumo energético, reduzem a produtividade e aumentam as licenças médicas. Um estudo da Allianz projeta que, caso a frequência dessas ondas de calor cresça, a economia alemã poderá acumular perdas de US$ 131 bilhões entre 2026 e 2030.

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