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Ex-comandante da Força de Submarinos da Argentina é condenado por negligência no caso ARA San Juan

08 de Julho de 2026 às 18:06

Claudio Villamide, ex-comandante da Força de Submarinos da Argentina, foi condenado a três anos de prisão condicional por negligência no naufrágio do ARA San Juan em 2017. O tribunal federal de Santa Cruz absolveu outros três capitães no processo que investigou a morte de 44 tripulantes

Ex-comandante da Força de Submarinos da Argentina é condenado por negligência no caso ARA San Juan
Argentine Navy/Handout via Reuters

O ex-comandante da Força de Submarinos da Argentina, Claudio Villamide, foi condenado a três anos de prisão por negligência e descumprimento de deveres funcionais após o naufrágio do submarino ARA San Juan. A decisão, proferida por unanimidade pelo tribunal federal da província de Santa Cruz nesta quarta-feira (8), refere-se à tragédia ocorrida em 2017, que resultou na morte de 44 tripulantes, entre eles 43 homens e uma mulher.

A sentença, no entanto, é condicional, o que significa que Villamide, de 62 anos, não será detido. Ele deverá informar seu domicílio e apresentar-se à Justiça durante a vigência da pena. O Ministério Público havia solicitado a condenação em cinco anos, argumentando que o ex-chefe da divisão de submarinos ignorou as condições deficientes de prontificação da embarcação.

O processo revelou que o ARA San Juan iniciou a missão de patrulha na costa argentina sem as condições ideais de navegação. O submarino possuía uma restrição de imersão de cem metros, pois ainda pendia a realização de testes após reparos de meia vida. No dia 15 de novembro de 2017, a embarcação submergiu além desse limite de 100 metros e implodiu no Atlântico Sul, após reportar uma avaria e um princípio de incêndio provocado por um curto-circuito na sala de baterias.

Enquanto Villamide foi condenado, o tribunal absolveu outros três ex-capitães que foram levados a julgamento: Luis Enrique López Mazzeo, Héctor Aníbal Alonso e Hugo Correa. O processo contou com o depoimento de cerca de cem testemunhas.

A advogada Valeria Carreras, que representa a maioria dos familiares das vítimas, classificou a punição como insuficiente e manifestou decepção com as absolvições dos demais réus. A defesa dos demandantes pretende apelar para buscar penas mais severas, ação que será formalizada após a divulgação dos fundamentos da sentença, prevista para 21 de agosto.

O naufrágio do ARA San Juan é considerado uma das maiores tragédias da Marinha Argentina em tempos de paz. Na época, a Marinha informou inicialmente que houve uma falha nas comunicações, o que mobilizou uma operação internacional de buscas. Os destroços foram localizados apenas um ano depois, a 900 metros de profundidade e a 500 quilômetros da costa argentina, permanecendo no local sem resgate.

Com informações de G1

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