Mundo

Ex-emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, morre aos 74 anos

12 de Julho de 2026 às 06:03

O ex-emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, morreu aos 74 anos neste domingo (12). Ele governou o país entre 1995 e 2013, período em que implementou a exportação de gás natural liquefeito e fundou a rede Al Jazeera

Ex-emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, morre aos 74 anos
REUTERS/Fadi Al-Assaad

O ex-emir do Catar, Sheikh Hamad bin Khalifa Al-Thani, morreu aos 74 anos na manhã deste domingo (12), conforme comunicado do Amiri Diwan, órgão central do governo catariano. A causa do óbito não foi informada.

Ao assumir o poder em 1995, aos 44 anos — tornando-se o governante mais jovem da região na época —, Sheikh Hamad iniciou um processo de modernização que alterou a estrutura econômica e a projeção global do pequeno Estado desértico. Ele foi o mentor da estratégia de infraestrutura de gás natural liquefeito (GNL), permitindo que as reservas do país chegassem ao mercado internacional e transformando o emirado em um dos maiores exportadores mundiais do combustível, base da atual riqueza nacional.

A influência do Catar no cenário árabe e global foi ampliada com a criação da rede de televisão Al Jazeera e com a conquista do direito de sediar a Copa do Mundo de 2022. Este último evento impulsionou dez anos de obras que remodelaram a capital, Doha.

Na diplomacia, Sheikh Hamad estabeleceu o país como um mediador em conflitos internacionais, atuando em crises no Líbano, Iêmen e Darfur. Sua gestão manteve canais abertos simultaneamente com o Irã, grupos alinhados a Teerã e os Estados Unidos, que mantêm o Comando Central de suas Forças Armadas em território catariano. Essa base diplomática viabilizou a atuação atual do país nas negociações entre Washington e Teerã, além dos esforços para encerrar a guerra na Faixa de Gaza.

A trajetória política do ex-emir também foi marcada por tensões. Durante a Primavera Árabe em 2011, o Catar apoiou movimentos revolucionários e grupos islâmicos, incluindo organizações ligadas à Irmandade Muçulmana. Essa postura, embora expandisse a influência de Doha, gerou atritos com monarquias vizinhas, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que interpretavam tais movimentos como ameaças à estabilidade regional.

Internamente, Sheikh Hamad era visto como um líder próximo à população, frequentando cafés no souq de Doha. No processo de modernização, contou com a parceria de sua esposa, Sheikha Moza bint Nasser, que exerceu influência pública incomum na região ao liderar projetos de desenvolvimento social, pesquisa e educação.

Sua ascensão ao poder ocorreu em 1995, via golpe sem derramamento de sangue contra o próprio pai. No ano seguinte, sobreviveu a uma tentativa de contragolpe atribuída ao progenitor, que também havia chegado ao comando em 1972 ao destituir um primo. Para evitar disputas sucessórias e intrigas familiares, Sheikh Hamad rompeu a tradição em 2013 ao abdicar do trono em favor do filho, o atual emir Tamim bin Hamad Al-Thani, justificando a decisão pela necessidade de abrir espaço para a energia e as ideias de uma nova geração.

Notícias Relacionadas