Ex-piloto da Air Canada é acusado de comandar centenas de voos com licença falsificada
Geoffrey Wall, de 59 anos, é acusado de comandar cerca de 900 voos da Air Canada entre 2009 e 2023 com licença falsificada. O ex-piloto foi preso por fraude e falsificação após fiscalização no Aeroporto Internacional Pearson. O profissional aguarda audiência judicial e foi afastado da companhia
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/4/l/9sqW6OQy6FUwXdZ0CbVA/air-canada-1200w.webp)
As autoridades canadenses acusam Geoffrey Wall, de 59 anos, de ter comandado centenas de voos comerciais da Air Canada durante 17 anos utilizando uma licença de piloto falsificada. O ex-piloto, que integrava o quadro da companhia desde 1998, teria operado aeronaves Boeing em trajetos domésticos e internacionais, acumulando aproximadamente 900 viagens sem a certificação de piloto de linha aérea (ATPL) exigida para a função de capitão.
A irregularidade foi detectada no ano passado, durante uma verificação aleatória de documentos no Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto. A identificação de inconsistências na documentação de Wall desencadeou a abertura de um inquérito pelo Transport Canada, órgão federal do setor, sob a denominação de "Projeto Ícaro". A investigação, que incluiu a análise de documentos e a execução de mandados de busca, confirmou que a licença apresentada pelo profissional era fraudulenta.
De acordo com a Polícia Regional de Peel, Wall teria utilizado a documentação falsa desde 2009, momento em que foi promovido ao cargo de capitão, recebendo milhões de dólares em salários ao longo desse período. Nick Milinovich, vice-chefe da corporação, comparou a gravidade da situação ao de um clínico geral que realizasse cirurgias cerebrais sem a devida especialização, ressaltando que fraudadores habilidosos podem enganar sistemas de controle por longos intervalos de tempo.
Wall foi preso e responde a sete acusações, que abrangem fraude, falsificação de documentos, posse de marca falsificada e comunicação falsa às autoridades. Após a prisão, ele foi liberado e aguarda nova audiência judicial prevista para o final deste mês.
A Air Canada afastou o profissional imediatamente após a descoberta do caso e notificou voluntariamente o Ministério dos Transportes do Canadá. A empresa assegurou que a segurança dos passageiros foi mantida, fundamentando a afirmação nos treinamentos de reciclagem obrigatórios a cada seis meses e nas avaliações periódicas de competência de voo aplicadas a todos os pilotos. Uma auditoria interna conduzida pela companhia após o incidente não apontou outras irregularidades no corpo técnico de voo.