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F-117 Nighthawk foi a primeira aeronave operacional projetada para reduzir a detecção por radares

16 de Maio de 2026 às 06:19

Desenvolvido pela Lockheed para a Força Aérea dos Estados Unidos, o F-117 Nighthawk foi a primeira aeronave operacional com tecnologia stealth. O jato subsônico, que operou entre 1983 e 2008, utilizava design facetado e revestimento absorvente para reduzir a detecção por radares. O modelo atuou em missões no Panamá e na Guerra do Golfo, tendo uma unidade abatida na Iugoslávia em 1999

F-117 Nighthawk foi a primeira aeronave operacional projetada para reduzir a detecção por radares
Conheça o F-117 Nighthawk, avião stealth que reduzia a detecção por radar com facetas angulares e voava a mais de 1.000 km/h. (Imagem: Ilustrativa)

O F-117 Nighthawk inaugurou a era da aviação militar com a implementação da tecnologia stealth, sendo a primeira aeronave operacional projetada especificamente para reduzir a detecção por radares. Desenvolvido pela Lockheed para a Força Aérea dos Estados Unidos, o jato de ataque foi concebido para atingir alvos estratégicos de alto valor em áreas protegidas por defesas antiaéreas, priorizando a baixa observabilidade em vez da manobrabilidade ou do combate aéreo direto.

A aeronave, que voou pela primeira vez em 18 de junho de 1981 e tornou-se operacional em outubro de 1983, permaneceu sob sigilo até 1988. Seu design disruptivo, caracterizado por superfícies planas e ângulos acentuados, tinha a função técnica de refletir as ondas de radar para direções opostas à antena emissora. Para complementar a geometria facetada, a Lockheed Martin aplicou um revestimento de material absorvente de radar, resultando em uma assinatura significativamente menor que a de aviões convencionais da época.

Operacionalmente, o Nighthawk era otimizado para missões noturnas, característica reforçada por sua pintura preta para dificultar a identificação visual. A discrição era mantida também pelo transporte interno de armamentos, com capacidade de carga de 5.000 libras em bombas guiadas por laser, evitando que cargas externas aumentassem a assinatura no radar. Outro compromisso técnico foi a ausência de pós-combustão nos dois motores General Electric F404-F1D2, escolha feita para reduzir a assinatura térmica da aeronave.

Apesar da aparência, o F-117 era um jato subsônico com velocidade máxima de cruzeiro de aproximadamente 1.100 km/h (684 milhas por hora). Devido às limitações aerodinâmicas de seu formato angular, a estabilidade do voo dependia de um sistema eletrônico de controle conhecido como fly-by-wire, que processava os comandos do piloto antes de enviá-los às superfícies de controle.

O impacto estratégico do modelo foi consolidado durante a Guerra do Golfo, em 1991. Na Operação Desert Storm, o Museu Nacional da Força Aérea dos Estados Unidos registra que as aeronaves realizaram 1.271 missões com 80% de taxa de sucesso, sem perdas ou danos de combate. Anteriormente, o jato já havia estreado em combate na Operação Just Cause, no Panamá, em dezembro de 1989.

Contudo, a tecnologia de baixa observabilidade não garantia imunidade total. Em 27 de março de 1999, durante a campanha da Otan na antiga Iugoslávia, um F-117 foi abatido próximo a Belgrado, evidenciando que a furtividade depende de um conjunto de fatores que inclui inteligência, planejamento de rota e manutenção do revestimento.

Entre 1981 e 1990, foram construídas 59 unidades do F-117A. A aeronave foi oficialmente aposentada em 2008, sucedida por modelos como o F-22 e o F-35. Enquanto o Nighthawk utilizava painéis retos devido às limitações computacionais de sua época, as gerações seguintes integraram formas curvas e maior desempenho aerodinâmico, refinando os conceitos de compartimentos internos de armas e integração eletrônica introduzidos pelo pioneiro da tecnologia stealth.

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