Falhas em cabos submarinos no Atlântico interromperam a conectividade em países da África Ocidental
Falhas nos cabos submarinos WACS, ACE, SAT-3 e MainOne interromperam a conectividade em países da África Ocidental e Central em março de 2024. O incidente, possivelmente causado por atividades sísmicas, foi solucionado entre abril e maio com o uso de embarcações especializadas
A infraestrutura física que sustenta a internet global, composta por cabos submarinos que transportam mais de 95% do tráfego intercontinental de dados, enfrenta vulnerabilidades críticas que impactam diretamente economias e serviços essenciais, como transações bancárias e plataformas digitais. A fragilidade desse sistema ficou evidente em março de 2024, quando falhas simultâneas nos cabos WACS, ACE, SAT-3 e MainOne interromperam ou instabilizaram a conectividade em países da África Ocidental e Central, incluindo Nigéria, Gana, Costa do Marfim, Libéria e Benin.
As rupturas ocorreram no Atlântico, nas proximidades da Costa do Marfim, com indícios de que atividades sísmicas no leito marinho tenham contribuído para o incidente. Para mitigar a perda de capacidade de tráfego, as operadoras redirecionaram os dados por rotas alternativas, medida que nem sempre foi capaz de normalizar o desempenho das redes em larga escala. O restabelecimento total dos serviços ocorreu entre abril e maio, variando conforme a complexidade de cada intervenção.
A recuperação dessas redes depende de embarcações especializadas, como o Léon Thévenin. Operado pela Orange e baseado na Cidade do Cabo, o navio de 107 metros, construído em 1983, é equipado com sistemas de posicionamento dinâmico que permitem a imobilidade sobre pontos específicos do oceano, mesmo em condições adversas. Apesar de sua idade, a embarcação foi atualizada com tecnologias de navegação e estabilidade, mantendo a eficiência exigida pela indústria para atuar em regiões com baixa redundância de cabos.
O processo de reparo inicia-se com a identificação remota do ponto exato do dano. Após a localização, o navio recupera o trecho comprometido em grandes profundidades, remove o segmento danificado e instala uma nova seção. Essa operação exige precisão milimétrica para garantir a integridade das fibras ópticas e a proteção externa do cabo, evitando novas falhas após a reinstalação no fundo do mar.
Além de fenômenos geológicos, a rede global de conectividade é constantemente ameaçada por deslizamentos submarinos, pesca de arrasto e âncoras de navios. Tais riscos reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e de logística especializada para garantir que o fluxo de informações, embora percebido como instantâneo, permaneça operacional através de sua base física oceânica.