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Força Aérea dos Estados Unidos reativa bombardeiro B-1B Lancer para recompor capacidade de ataque estratégico

10 de Maio de 2026 às 20:47

A Força Aérea dos Estados Unidos reativou o bombardeiro B-1B Lancer Apocalipse II para recompor sua frota de ataque de longo alcance. A aeronave passou por dois anos de reparos técnicos e foi integrada ao 7º Ala de Bombardeio na Base Aérea Dyess. O Departamento de Defesa investirá 1,7 bilhão de dólares na manutenção das frotas B-1B e B-2

Força Aérea dos Estados Unidos reativa bombardeiro B-1B Lancer para recompor capacidade de ataque estratégico
USAF

A Força Aérea dos Estados Unidos reativou um bombardeiro B-1B Lancer, anteriormente denominado "Rage", para recompor sua capacidade de ataque de longo alcance após a perda de uma aeronave em serviço. O avião, identificado pelo número de série 86-0115, estava aposentado em um depósito no deserto do Arizona desde 2021, período em que a frota ativa foi reduzida de 62 para 45 unidades. Agora batizado de Apocalipse II, o bombardeiro retorna à frota estratégica estabelecida pelo Congresso.

A recuperação da aeronave demandou dois anos de intervenção técnica no Complexo de Logística Aérea de Oklahoma City. Uma equipe de mais de 200 profissionais realizou a desmontagem e reconstrução da fuselagem, com a substituição de mais de 500 componentes e reparos estruturais. Após testes de voo conduzidos pelo 10º Esquadrão de Testes de Voo, o bombardeiro partiu da Base Aérea Tinker, em 22 de abril de 2026, com destino à Base Aérea Dyess, no Texas. A aeronave agora integra o 7º Ala de Bombardeio, com marcas dos 28º e 9º Esquadrões de Bombardeio e uma pintura em homenagem a uma tripulação de B-24J da Segunda Guerra Mundial.

A decisão de restaurar o Apocalipse II ocorreu porque a modernização de um avião aposentado mostrou-se mais eficiente do que aguardar o conserto de outro B-1B, que apresenta danos estruturais e permanece em uma instalação da Boeing, na Califórnia.

Essa medida reflete a necessidade de prolongar a operação dos B-1B diante de incertezas na produção dos novos bombardeiros furtivos B-21 Raider, que deveriam substituir a frota Lancer no início da década de 2030. Para viabilizar essa extensão, o Departamento de Defesa investirá 1,7 bilhão de dólares na manutenção das frotas B-1B e B-2. Desse montante, 342 milhões de dólares serão destinados, entre 2027 e 2031, para modernizar os 44 Lancers remanescentes, visando manter a letalidade e a relevância do modelo até 2037.

O plano de modernização foca na transformação do bombardeiro em uma plataforma modular de armamento. Com a alocação de 50 milhões de dólares no orçamento de 2026, a Força Aérea implementará suportes modulares adaptáveis de carga (LAM), projetados pela Boeing. O sistema reativa pontos de fixação externos criados durante a Guerra Fria para mísseis nucleares, permitindo que as tripulações reconfigurem rapidamente seis suportes ajustáveis. Essa alteração amplia em 50% a capacidade total de carga de armas, com cada suporte apto a carregar duas munições de 900 kg ou uma única peça superior a 2.300 kg.

Com essa configuração, o B-1B torna-se a principal plataforma para o lançamento de mísseis hipersônicos, incluindo a integração com o míssil de resposta rápida (ARRW) AGM-183A. Um Lancer totalmente equipado poderá transportar até 31 armas hipersônicas, divididas entre as baías internas e os suportes externos. A aeronave também passará a atuar como plataforma de testes para armamentos hipersônicos experimentais, reduzindo a demanda sobre a frota B-52.

As atualizações visam a dissuasão em cenários de conflito no Pacífico, especificamente contra a China. O Pentágono busca combinar a maior capacidade de carga com mísseis antibuque de longo alcance (LRASM) e tecnologias hipersônicas, garantindo que a aeronave da era da Guerra Fria permaneça como um instrumento estratégico nas próximas décadas.

Com informações de El Confidencial

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