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Forças Armadas do Canadá registram o maior volume de novos recrutas em três décadas

11 de Maio de 2026 às 09:34

As Forças Armadas do Canadá alistaram mais de 7 mil membros no último ano fiscal, o maior volume em três décadas. O crescimento foi impulsionado por aumentos salariais, redução de burocracia e investimentos de 2% do PIB em defesa. O governo planeja atingir 85,5 mil militares no serviço regular e 300 mil reservistas

Forças Armadas do Canadá registram o maior volume de novos recrutas em três décadas
Reuters via BBC

As Forças Armadas do Canadá registram o maior volume de novos recrutas em três décadas, com mais de 7 mil membros alistados no último ano fiscal. O movimento sinaliza uma tentativa de reverter a escassez crônica de pessoal que levou a ex-gestões a descreverem a situação militar do país como uma "espiral da morte". O interesse pelo serviço militar cresceu drasticamente: as inscrições confirmadas saltaram de 21,7 mil para 40,1 mil em fevereiro, enquanto o total de interessados beirou as 100 mil pessoas no último ano, superando significativamente as 36 mil registradas no período 2019-2020.

Esse crescimento é impulsionado por uma combinação de fatores econômicos, geopolíticos e administrativos. Internamente, a alta taxa de desemprego entre jovens — que atingiu 14% em março — e a promessa de estabilidade financeira tornaram a carreira atrativa, especialmente após o primeiro-ministro Mark Carney implementar o maior aumento salarial para militares de uma geração. No campo administrativo, a redução da burocracia no processo de ingresso e a abertura das inscrições para residentes permanentes em 2022, que agora representam 20% dos novos recrutas, facilitaram o acesso ao serviço.

No cenário externo, a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em 2022, e a ascensão de um sentimento nacionalista motivado por falas de Donald Trump — que chegou a chamar o Canadá de "51º estado" — estimularam o alistamento. O governo de Mark Carney assumiu um plano ambicioso de modernização e expansão, visando atingir 85,5 mil membros no serviço regular e uma força de mobilização de até 300 mil reservistas, escala de planejamento não vista desde 2004.

Financeiramente, o Canadá atingiu, em março, a meta da Otan de investir 2% do PIB em defesa, totalizando mais de 63 bilhões de dólares canadenses (aproximadamente R$ 226 bilhões). O montante é destinado a salários, novos equipamentos, modernização de bases e infraestrutura no Ártico, com o compromisso de elevar esse gasto para 5% do PIB até 2035.

Apesar do avanço, o país ainda enfrenta críticas internacionais e limitações operacionais. Historicamente dependente da proteção dos Estados Unidos, o Canadá foi classificado por autoridades americanas como um "parasita" militar e um dos menores contribuintes da Otan, ficando atrás de potências como EUA, Reino Unido e França. Atualmente, a capacidade de mobilização canadense é limitada a alguns milhares de soldados e poucos caças, enquanto o Reino Unido, por exemplo, consegue mobilizar 10 mil militares.

Mesmo com a queda na taxa de desistência de militares e a expectativa do ministro da Defesa, David McGuinty, de que as metas de recrutamento sejam antecipadas, a transição do financiamento para melhorias concretas no terreno ainda demanda tempo. Militares em operações no território de Nunavut confirmam a necessidade urgente desses investimentos para a segurança e a soberania do país.

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